Cultura

Prêmio Jabuti 2026 abre disputa do Livro do Ano a estreantes e divulga finalistas

Milton Hatoum, Itamar Vieira Junior e Adélia Prado estão entre os indicados; nova categoria premia criadores digitais que incentivam a leitura
Milton Hatoum com livro aberto ao lado do logotipo do Prêmio Jabuti, destaque entre os finalistas do Prêmio Jabuti 2026

A Câmara Brasileira do Livro (CBL) divulgou nesta quarta-feira (14) os finalistas da 68ª edição do Prêmio Jabuti, que recebeu 4.675 obras e projetos inscritos neste ano.

A partir desta edição, livros de autores estreantes em poesia e em romance também passam a concorrer ao Livro do Ano, principal distinção da premiação.

Os vencedores serão anunciados em 27 de outubro, em cerimônia para convidados na Sala São Paulo, na capital paulista.

Nomes consagrados e estreantes na mesma disputa

A mudança nas regras coloca no páreo pelo Livro do Ano os finalistas das categorias Escritor Estreante – Poesia e Escritor Estreante – Romance. Entre os estreantes no romance estão Bruna Dantas Lobato, com Horas azuis (Companhia das Letras), e Fernanda Teixeira Ribeiro, com Cantagalo (Todavia).

Do outro lado, a categoria Romance Literário reúne autores de peso: Itamar Vieira Junior (Coração sem medo), Milton Hatoum (Dança de enganos), Eliana Alves Cruz (Meridiana), Aline Bei (Uma delicada coleção de ausências) e Evandro Affonso Ferreira (Vez em quando, Billie Holiday).

Na Poesia, Adélia Prado concorre com O jardim das oliveiras, ao lado de Adriana Lisboa, Alberto Martins, Nina Rizzi e Bárbara Mançanares. Na Crônica, há uma indicação póstuma de Contardo Calligaris, com Aproveitar a vida e suas dores.

Não ficção reflete temas do debate público

Os finalistas de não ficção trazem assuntos em evidência no país. Martha Gabriel disputa em Economia Criativa com um livro sobre habilidades para o futuro do trabalho na era da inteligência artificial. Na mesma categoria aparece uma proposta de renda básica para reduzir a desigualdade, e, em Negócios, uma coletânea sobre desafios fiscais e reformas estruturais em homenagem a Eduardo Guardia.

Em Biografia e Reportagem, Rodrigo Faour concorre com um estudo sobre estratégias de sobrevivência e visibilidade LGBTI+ no Rio entre 1950 e 1990. Ruy Castro e uma biografia de Zuzu Angel, assinada por Virginia Siqueira Starling, também estão na lista. Em Educação, há obras sobre educação antirracista e sobre como conversar com crianças a respeito de racismo e diversidade.

Ao todo, são 23 categorias divididas em quatro eixos: Literatura, Não Ficção, Produção Editorial e Inovação.

Leitura nas redes ganha categoria própria

A principal novidade da edição é a categoria Incentivo à Leitura – Cultura Digital, voltada a criadores de conteúdo em plataformas digitais que valorizam o livro e estimulam a leitura. Os cinco selecionados foram definidos por votação popular, encerrada em 9 de outubro.

No eixo Inovação, a categoria Livro Brasileiro Publicado no Exterior inclui títulos lançados em parceria com editoras estrangeiras, como Suhrkamp Verlag, Métailié e Farrar, Straus & Giroux.

Prêmios

O vencedor do Livro do Ano leva a estatueta, R$ 70 mil e uma viagem custeada pela CBL a uma feira internacional do livro, em Londres, Bolonha, Frankfurt ou Guadalajara. Os vencedores de cada categoria recebem a estatueta e R$ 5 mil.

Para a presidente da CBL, Sevani Matos, os finalistas representam a diversidade e a qualidade da produção editorial brasileira. “O Prêmio Jabuti tem um papel importante nesse reconhecimento e em dar visibilidade aos profissionais que fazem parte de toda a cadeia do livro”, afirmou.

Segundo o curador Hubert Alquéres, o volume de inscritos evidencia o prestígio do prêmio. A cerimônia terá transmissão ao vivo pelo canal da CBL no YouTube.