A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou nesta segunda-feira (26) o recolhimento e a proibição da venda de um picolé e de um suplemento de proteína. Os dois produtos alimentícios levam ingredientes que, segundo a agência, não passaram por avaliação de segurança para esse uso.
A medida atinge o Picolé Bentô Gelatos Magnésio + Inositol Relief 3.0, da ABB Gelateria Ltda, e o suplemento Body Strong Proetein, sabor cacau, da marca Equaliv, fabricado pela Althaia S.A Indústria Farmacêutica.
Por que o picolé foi proibido
O problema do picolé está em dois componentes da fórmula: a melatonina e o inositol. De acordo com a Anvisa, essas substâncias só têm autorização para uso em suplementos alimentares. No caso do inositol, a liberação vale também para composto líquido pronto para consumo.
Ou seja, os ingredientes não estão autorizados para entrar em um gelado comestível vendido como alimento comum.
O que pesa contra o suplemento
O Body Strong Proetein contém peptistrong, uma proteína de fava hidrolisada. Segundo a agência, esse ingrediente não passou por avaliação de segurança para uso em alimentos.
O peptistrong já tinha sido alvo da Anvisa em 9 de outubro, quando a agência mandou recolher todos os lotes do suplemento Peptistrong por esse mesmo motivo.
Alegações terapêuticas na propaganda
A decisão também aponta publicidade irregular. Segundo a Anvisa, o produto era divulgado com alegações terapêuticas de “prevenção de sarcopenia” e de “suporte nutricional para preservação da massa magra em pessoas que usam canetas emagrecedoras (GLP-1)”.
Por isso, além do recolhimento, a agência suspendeu a fabricação, a venda, a distribuição, a propaganda e o uso do suplemento.
Uma sequência de ações contra ingredientes sem aval
A determinação faz parte de uma série de ações da Anvisa contra produtos com ingredientes sem comprovação de segurança. Em setembro, a agência proibiu a venda da bebida proteica NotShake Protein, da NotCo.
Nos dois casos desta segunda, o motivo central é o mesmo: substâncias usadas fora do que a regulamentação sanitária permite. Uma é liberada só para suplementos e foi parar em um picolé. A outra não tem avaliação para uso em alimentos.
O que falta saber
As informações divulgadas até agora são da Anvisa. O material publicado não traz a posição da ABB Gelateria, da Equaliv ou da Althaia sobre a decisão. Também não detalha quais lotes foram afetados nem como deve ser feito o recolhimento junto aos consumidores.
A referência a usuários de medicamentos GLP-1 na propaganda do suplemento mostra um ponto de atenção da fiscalização: produtos que se apresentam como complemento ao tratamento com canetas emagrecedoras, sem autorização para fazer alegações terapêuticas.