Saúde

Anvisa manda recolher todos os lotes do Peptistrong e suspende venda do suplemento

Proteína de fava hidrolisada que dá nome ao produto nunca passou por avaliação de segurança sanitária
Sede da Anvisa simboliza recolhimento suplemento Peptistrong Anvisa após suspensão cautelar de venda

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mandou recolher todos os lotes do suplemento Peptistrong e suspendeu a fabricação, a distribuição, a venda, a propaganda e o uso do produto em todo o país.

O motivo é o ingrediente principal: a proteína de fava hidrolisada que dá nome ao suplemento nunca passou por avaliação de segurança sanitária para uso em alimentos. A resolução saiu no Diário Oficial da União desta sexta-feira (9) e já está em vigor.

Ingrediente chegou ao mercado antes da análise

Segundo a resolução, a agência identificou evidências de que o produto vinha sendo anunciado e vendido com a proteína de fava hidrolisada na composição — uma substância que ainda não tinha passado pelo crivo da vigilância sanitária para ser empregada em alimentos. No modelo brasileiro, é essa avaliação prévia que autoriza um ingrediente novo a compor suplementos.

O Peptistrong está sob responsabilidade da Manipulação Stevia Ltda., empresa conhecida no mercado como Biostevi Pharma. A medida alcança todos os lotes, sem distinção de data de fabricação, e vale para a cadeia inteira: nada pode ser produzido, distribuído, exposto à venda, divulgado ou consumido enquanto a suspensão estiver de pé.

A decisão se apoia em normas sanitárias de segurança e de regularização de alimentos e entrou em vigor na data da publicação, sem prazo de transição para o setor.

Mais um suplemento barrado no ano

O recolhimento do Peptistrong se soma a uma série de ações da Anvisa contra suplementos alimentares em 2026, como a suspensão dos produtos Calm Days e Libi Now, retirados do mercado por falha na comprovação de segurança exigida pelas normas sanitárias.

O caso também lembra o que ocorreu em setembro, quando a agência proibiu a venda da bebida proteica NotShake Protein, da NotCo, por usar um ingrediente sem comprovação de segurança para a finalidade declarada. O desenho é parecido: produtos que chegam à prateleira apostando em ingredientes inovadores antes de a autorização sanitária sair.

Para quem já tem o produto em casa, a própria resolução dá o recado ao suspender também o uso. O recolhimento, por sua vez, obriga a empresa a buscar as unidades que seguem em circulação.