A campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu ao TSE neste domingo (25) que a votação do segundo turno seja estendida por duas horas, até as 19h de Brasília, em municípios de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul afetados por fortes chuvas.
Segundo a petição, alagamentos, quedas de energia e dificuldades de deslocamento podem impedir eleitores de chegar às seções antes das 17h, horário regular de encerramento da votação. Ela começou às 8h.
O pedido foi encaminhado à Presidência do tribunal, ocupada pelo ministro Kassio Nunes Marques.
O que diz a petição sobre as chuvas
O documento usa dados preliminares da Cemig segundo os quais ao menos 163 locais de votação ficaram sem energia em Minas Gerais: 18 em Belo Horizonte e 65 na Região Metropolitana. A petição também relata alagamentos na capital mineira e em Poços de Caldas.
No Rio Grande do Sul, a campanha menciona aviso da Defesa Civil estadual sobre risco de inundação no Rio Uruguai entre São Borja e Uruguaiana, além de alerta hidrológico para São Borja.
Pedidos alternativos
Se o TSE não aceitar a prorrogação em todos os municípios listados, a campanha pede que as duas horas extras valham ao menos para os 163 locais sem energia em Minas, para pontos específicos de Belo Horizonte e para seções de São Borja, Itaqui e Uruguaiana em áreas sujeitas à cheia do rio.
Se nem isso for viável, a defesa pede que juízes eleitorais dos dois estados possam estender a votação por até duas horas nas seções com problemas de acesso causados por alagamento, interdição de vias, deslizamento ou falta de energia.
O texto também deixa aberta a possibilidade de a medida chegar a outros municípios, zonas e seções que os tribunais regionais eleitorais de Minas e do Rio Grande do Sul identifiquem como atingidos pelas chuvas.
Divulgação dos resultados e justificativa de ausência
Se a extensão for aprovada, a campanha pede que a divulgação dos resultados da eleição presidencial só comece depois do fim da votação nos locais incluídos. Segundo a petição, a recepção e a totalização dos boletins das demais seções podem seguir normalmente.
Seja qual for a decisão sobre o horário, o pedido solicita que a Justiça Eleitoral aceite como justa causa a ausência de eleitores que não conseguirem votar por causa dos eventos climáticos do dia.
A campanha pede uma resposta imediata, porque o pedido perde a finalidade quando a votação terminar. A decisão sobre o pedido cabe a Nunes Marques. O encerramento regular das urnas estava previsto para as 17h, no horário de Brasília, e quem estivesse na fila nesse momento teria direito a votar.
Outros pedidos de prorrogação no domingo
A ofensiva não é isolada. A campanha de Flávio também pediu a prorrogação em 19 cidades de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, com o mesmo pedido de que a divulgação dos resultados só comece depois do encerramento da votação nos locais beneficiados.
A coligação de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também pediu ao TSE e ao STF votação até as 19h em municípios com problemas no transporte público. Mais cedo, a campanha de Lula já havia pedido a extensão em municípios de nove estados, alegando falhas no transporte. Antes disso, o PT pediu o mesmo horário para Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas por causa da redução da frota de ônibus.
Além da prorrogação, a federação formada por PT, PC do B e PV pediu a distribuição de senhas aos eleitores que estiverem nas filas às 17h e a manutenção do transporte público gratuito, com frota integral, por pelo menos duas horas depois do encerramento da votação. No Supremo, o partido solicitou que a votação seja prorrogada por duas horas em todo o país.
Em resposta a esse pedido, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, determinou no domingo (25) a prorrogação do encerramento da votação até as 19h em todas as seções do país, e não apenas nos municípios listados nas petições. Com a decisão, a totalização dos votos, que já havia começado, foi paralisada.