A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acionou o Tribunal Superior Eleitoral nesta sexta-feira (23) e pediu a cassação da chapa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), senador e adversário de Lula na disputa pela Presidência.
O pedido se apoia na suspeita de financiamento eleitoral ilícito por meio de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. A ação também pede 8 anos de inelegibilidade para Flávio e para o irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
O dinheiro de Vorcaro e a suspeita sobre o PCC
O ponto de partida da ação é a relação entre o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e a produção do filme. Reportagem da revista Piauí apontou que o longa recebeu R$ 65 milhões do então banqueiro. Já a ação apresentada pelo PT cita uma movimentação de R$ 69 milhões.
Em maio, Flávio admitiu ter pedido a Vorcaro o financiamento do filme, mas negou qualquer irregularidade e tratou o caso como patrocínio privado.
A campanha de Lula também quer saber se dinheiro do crime organizado chegou à candidatura do senador. Segundo a equipe petista, os recursos destinados ao filme podem ter passado por uma empresa ligada ao PCC (Primeiro Comando da Capital).
O que a campanha pede ao tribunal
Além da cassação e da inelegibilidade, os advogados do presidente pedem o compartilhamento de provas da Polícia Federal e do Ministério Público, a quebra dos sigilos bancário e fiscal, perícias e o rastreamento de transferências internacionais.
Uma das fontes possíveis dessas provas é o inquérito sobre os repasses de Vorcaro ao filme, autorizado em julho pelo ministro André Mendonça, do STF.
Segundo pedido de cassação em três dias
A ação foi distribuída ao ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, corregedor-geral da Justiça Eleitoral no TSE.
Esse não é o primeiro pedido do tipo contra a candidatura de Flávio nesta semana. Na quarta-feira (21), a coligação Brasil Pronto pra Mais já havia pedido ao tribunal a cassação da chapa, alegando possível abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação.
O financiamento do longa também está no radar da Polícia Federal, que desde agosto investiga Flávio por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso Dark Horse.
Procurada pelo Poder360, a campanha de Flávio Bolsonaro não havia se manifestado sobre o pedido de cassação até a publicação da reportagem.