A Anvisa aprovou na segunda-feira (19) o telisotuzumabe vedotina, vendido como Emrelis, medicamento para adultos com câncer de pulmão de não pequenas células (CPNPC) avançado que já passaram por tratamento. Até agora, só os Estados Unidos tinham liberado a terapia.
Desenvolvido pela AbbVie, o remédio é indicado para tumores do tipo não escamoso, localmente avançados ou metastáticos, com alta superexpressão da proteína c-Met. A fabricante prevê que ele chegue ao mercado brasileiro no primeiro semestre de 2027.
Nos Estados Unidos, a FDA concedeu ao medicamento uma aprovação acelerada. No Brasil, a decisão da Anvisa se apoiou no estudo clínico de fase 2 LUMINOSITY, que testou a droga em pacientes que já tinham recebido outros tratamentos.
O que mostrou o estudo
No estudo, 34,6% dos pacientes tiveram redução mensurável do tumor. O índice mede a resposta ao tratamento e não corresponde a uma taxa de cura.
Os efeitos adversos mais frequentes foram neuropatia periférica, fadiga, perda de apetite e edema periférico.
Como a terapia funciona
Segundo a AbbVie, o telisotuzumabe vedotina é um anticorpo-droga conjugado: ele tem como alvo a c-Met, um receptor tirosina-quinase que pode aparecer em excesso em alguns tumores.
A farmacêutica afirma que, no CPNPC não escamoso avançado sem mutação no receptor do fator de crescimento epidérmico (EGFR), a superexpressão de c-Met ocorre em cerca de 25% dos pacientes e está ligada a um prognóstico pior.
A aprovação amplia o arsenal de terapias direcionadas contra a doença no país. Em julho, a Anvisa já tinha aprovado outro conjugado anticorpo-fármaco, o Datroway, voltado a pacientes com CPNPC com mutação no EGFR que já tinham esgotado as opções anteriores.
O caminho até o paciente
O registro na Anvisa não coloca o medicamento à venda de imediato. Antes, a terapia passa pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), que define o preço dentro de prazos previstos em lei. A AbbVie espera concluir essa etapa no primeiro semestre de 2027.
Para chegar à rede pública, o caminho é outro: a incorporação ao SUS não é automática e exige uma avaliação de tecnologias em saúde pela Conitec. A distância entre registro e acesso já levou pacientes aos tribunais, como uma paciente com câncer de pulmão avançado que precisou recorrer à Justiça para obter uma imunoterapia ainda em análise pela comissão.
O peso da doença
O câncer de pulmão é o que mais mata entre os cânceres no mundo: as estimativas para 2024 apontavam quase 2,65 milhões de novos casos e mais de 1,8 milhão de mortes.
No Brasil, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), a doença causou mais de 31 mil mortes em 2023. O país deve registrar mais de 35 mil novos casos por ano entre 2026 e 2028.