A injeção de lenacapavir, que previne o HIV com uma aplicação a cada seis meses, pode custar até R$ 20.914,22 no Brasil. O teto aparece na consulta de preços da Anvisa, com dados atualizados em 9 de outubro de 2026.
O medicamento é vendido com o nome Sunlenca pela farmacêutica Gilead Sciences. Mesmo com o preço máximo definido, ele ainda não está nas farmácias nem é oferecido pelo SUS, então a nova forma de prevenção continua sem um canal de acesso no país.
O que o preço registrado revela
A tabela da agência mostra mais de um valor para a mesma apresentação do Sunlenca. O teto de R$ 20.914,22 é o maior deles. O produto tem alíquota de ICMS zerada e registro sanitário número 1092900150014.
O valor fixado é um limite para o preço ao consumidor, não o preço final de venda. Também não garante que o remédio será distribuído de graça na rede pública.
Alternativa aos comprimidos diários
O lenacapavir é um antirretroviral usado como PrEP (profilaxia pré-exposição). Hoje, a versão oral dessa estratégia exige que a pessoa tome um comprimido todos os dias para reduzir o risco de infecção. A versão injetável troca essa rotina por duas aplicações por ano.
A Anvisa autorizou o uso preventivo em 12 de janeiro de 2026. A indicação vale para adultos e adolescentes a partir de 12 anos, com pelo menos 35 kg, que tenham risco de contrair o vírus por via sexual. Antes da primeira dose, é preciso confirmar que a pessoa não tem HIV.
Eficácia nos estudos
Nos estudos clínicos avaliados pela agência, a injeção evitou todas as infecções entre mulheres cisgênero, uma eficácia de 100%. Em outro estudo, com homens cisgênero e pessoas de gênero diverso, a eficácia foi de 96% em relação à incidência de base e de 89% em comparação com a PrEP oral diária.
O caminho até o SUS
Para chegar à rede pública, o lenacapavir precisa passar pela Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias), que analisa evidências clínicas, custo e impacto no orçamento. A definição do preço era uma etapa anterior a essa análise. Em abril, o medicamento estava parado numa fila regulatória, porque sem o preço máximo a comissão não podia nem começar a avaliação.
A negociação com a fabricante tem sido difícil. Em julho, o ministro Alexandre Padilha disse que o Brasil ofereceu pagar até dez vezes o valor cobrado de países como Indonésia e Tailândia, mas a Gilead recusou a proposta. Na mesma ocasião, ele anunciou que levaria à Conitec o cabotegravir, outra PrEP injetável, aplicada a cada dois meses.
Há também uma via regional. Em setembro, a OPAS fechou um acordo com a Gilead que abre ao Brasil outra forma de comprar o lenacapavir e prevê transferência de tecnologia para produção nacional, mas ainda sem prazos definidos.