O Corinthians quer pagar a dívida de R$ 640 milhões que tem com a Caixa Econômica Federal entregando ao banco os naming rights da Neo Química Arena, em Itaquera, por 15 anos. A proposta foi discutida nesta sexta-feira (16), em reunião entre representantes das duas instituições.
O formato do negócio ainda não foi fechado. Segundo apuração do Poder360, as partes devem voltar a se reunir na segunda-feira (19). A diretoria corintiana espera assinar o acordo já na semana que vem.
Reunião teve ministro e torcida organizada
O encontro reuniu o presidente e diretores do clube, representantes do banco público, o ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, e integrantes da Gaviões da Fiel, principal torcida organizada do Corinthians.
A assessoria de Boulos informou ao jornal que a presença do ministro faz parte da atribuição da pasta de intermediar a relação entre a sociedade civil e os órgãos do governo federal.
Termo de confidencialidade
Durante a reunião, Caixa e Corinthians assinaram um termo de confidencialidade. Em nota conjunta, as instituições afirmaram que avançaram nas conversas para avaliar alternativas de “aprimoramento da relação” entre as partes.
“As tratativas permanecem em curso e as conversas seguem em um ambiente de cooperação, responsabilidade legal e transparência”, diz o comunicado.
A nota, no entanto, não menciona a troca da dívida pelos direitos de nome do estádio. Nem o banco nem o clube confirmaram que a Caixa aceitou a proposta.
O que está em jogo
Se a conta for feita de forma linear, a cessão por 15 anos equivaleria a pouco mais de R$ 42 milhões por ano abatidos do débito. Para comparação, o Nubank paga cerca de R$ 50 milhões por ano para dar nome à arena do Palmeiras, o maior contrato anual de naming rights de estádio já registrado no país.
Contrato com a Hypera é obstáculo
O estádio corintiano tem o nome atual por causa de um contrato assinado em setembro de 2020 com a farmacêutica Hypera Pharma, dona da marca Neo Química. O acordo vale por 20 anos e soma R$ 300 milhões no total.
Para viabilizar o negócio com a Caixa, o Corinthians terá de negociar com a farmacêutica o encerramento ou a alteração desse contrato. A renegociação pode envolver o pagamento de compensação financeira à empresa, o que entraria na conta final da operação.
Lula na assinatura
A expectativa do clube é que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), torcedor declarado do Corinthians, participe do evento de assinatura caso o acordo seja fechado na próxima semana.
Até lá, a Caixa precisa aceitar o modelo proposto e as partes têm de definir os termos da cessão. Enquanto isso, o clube segue sem solução para o débito com o banco.