Meio ambiente

Correios passam a receber lixo eletrônico de graça em mais de 6 mil agências

Caixa de até 30 kg é entregue aberta no balcão e segue rastreada até um reciclador; o país coleta formalmente só 3% do que descarta
Veículo amarelo dos Correios em pátio logístico, ilustrando o descarte de eletrônicos nos Correios em mais de 6 mil agências

Quem tem aparelhos eletroeletrônicos sem uso em casa passou a contar, neste mês de outubro, com um ponto de descarte gratuito em boa parte do país: os Correios começaram a receber esses equipamentos em mais de 6 mil agências, sem necessidade de agendamento.

O serviço, feito em parceria com a Circular Brain, está disponível nas unidades que oferecem o Balcão do Cidadão. Segundo a estatal, a meta é ampliar o acesso da população ao descarte adequado num país que coleta formalmente apenas cerca de 3% do lixo eletrônico que gera.

Como fazer o descarte de eletrônicos nos Correios

O procedimento é simples. O consumidor reúne os equipamentos em uma caixa com peso total de até 30 kg e a leva aberta a uma agência participante. É o próprio atendente quem fecha a embalagem no momento da postagem.

Na sequência, o cliente informa nome, CPF, endereço, e-mail e telefone. Ao final, recebe um comprovante do envio, como em uma postagem comum.

Para onde vai o material

Depois de postadas, as caixas seguem para a Rede Circulare, operada pela Circular Brain. A rede encaminha cada remessa ao reciclador homologado mais próximo, e todo o trajeto é rastreado até a destinação final dos resíduos.

O alcance inicial cobre parte da estrutura da estatal. Os Correios estão em todos os municípios brasileiros e somam mais de 10 mil agências, mas o recebimento de eletrônicos começa apenas nas mais de 6 mil que já funcionam com o Balcão do Cidadão.

Um problema de 2,4 milhões de toneladas

A escala do desafio aparece nos números da Global E-waste Statistics Partnership, iniciativa da União Internacional de Telecomunicações (UIT) e do Instituto das Nações Unidas para Treinamento e Pesquisa (Unitar). Pelos dados de 2022, o Brasil gera cerca de 2,4 milhões de toneladas de lixo eletrônico por ano.

Desse volume, só cerca de 3% passa por coleta formal. O restante fica fora dos canais oficiais de recolhimento e reciclagem.

O que diz a lei sobre o lixo eletrônico

A destinação correta desses resíduos não é apenas recomendação. A Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010) e o Decreto nº 10.240/2020 obrigam fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de eletroeletrônicos a estruturar sistemas para recolher os produtos descartados pelos consumidores e enviá-los a um destino adequado, como a reciclagem.

Esse mecanismo é conhecido como logística reversa. A mesma lei de 2010 já foi tema de reportagem do Tropiquim sobre como os catadores sustentam cerca de 90% da reciclagem no país, mesmo com a política em vigor há mais de uma década.

A data do lançamento não é casual. Outubro marca, no dia 14, o Dia Internacional do Lixo Eletrônico, dedicado à conscientização sobre o descarte adequado desses materiais.

O novo serviço também se soma a outras frentes que a estatal tem explorado para ampliar o uso de suas agências, como a venda de seguros e títulos financeiros, autorizada em maio para enfrentar um prejuízo de R$ 8,5 bilhões.