A Academia Real das Ciências da Suécia anunciou nesta segunda-feira (12) que o Nobel de Economia 2026 vai para os americanos Robert E. Hall e Michael Woodford, pelos estudos sobre as bases microeconômicas da estabilização macroeconômica.
Hall, professor da Universidade de Stanford, e Woodford, da Universidade de Columbia, dividem o último dos prêmios Nobel anunciados neste ano. Os dois vão dividir o prêmio de 12 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 6,2 milhões) — valor que subiu 1 milhão de coroas suecas por categoria neste ano, em celebração aos 125 anos do Nobel.
Quem são os premiados
Robert E. Hall tem 83 anos, nasceu em 13 de agosto de 1943 em Palo Alto, nos Estados Unidos, concluiu o doutorado pelo MIT em 1967 e hoje leciona em Stanford. Michael Woodford tem 71 anos, nasceu em 1955 em Chicopee, também nos EUA, concluiu o doutorado pelo MIT em 1983 e é professor em Columbia. A justificativa da academia sueca aponta para a pesquisa dos dois sobre os fundamentos microeconômicos — o comportamento de empresas e consumidores — que sustentam as políticas de estabilização da economia como um todo. Segundo a academia, os modelos desenvolvidos pela dupla levam em conta como famílias e empresas se guiam pelo futuro ao decidir sobre poupança e preços, o que ajuda governos e bancos centrais a calibrar a política fiscal e monetária no momento adequado para reduzir os altos e baixos da economia. “O trabalho dos laureados nos proporcionou uma base teórica sólida para os modelos que hoje são utilizados por bancos centrais e governos em todo o mundo”, afirmou John Hassler, presidente do Comitê do Prêmio de Ciências Econômicas.
Um Nobel que Nobel não criou
Oficialmente, o reconhecimento se chama Prêmio do Banco da Suécia em Ciências Econômicas em memória de Alfred Nobel. Foi criado em 1968 e entregue pela primeira vez em 1969 — quase sete décadas depois dos cinco prêmios originais previstos no testamento do industrial sueco Alfred Nobel, inventor da dinamite, concedidos desde 1901.
Medicina, Física, Química, Literatura e Paz formam esse grupo original. A Economia entrou depois, por iniciativa do banco central sueco, e desde então carrega a ressalva de origem: não foi escolha de Nobel.
O fechamento da safra 2026
Com a Economia, a temporada Nobel deste ano se encerra. A sequência de anúncios havia aberto com o prêmio de Medicina, concedido a Karl Deisseroth, Peter Hegemann e Georg Nagel pela descoberta da optogenética, técnica que liga e desliga neurônios com luz.
Nos dias seguintes vieram a Física, com o belga Francis Halzen premiado por transformar um quilômetro cúbico de gelo antártico em um detector de neutrinos, e a Química, para Henri B. Kagan e Kenso Soai, que explicaram por que as reações tendem a produzir apenas uma das formas espelhadas das moléculas da vida.
A crítica que volta todo ano
Dentro da própria disciplina, não há honra maior para um pesquisador. Fora dela, o prêmio nunca alcançou o peso simbólico das áreas escolhidas por Alfred Nobel. Detratores o tratam como um “falso Nobel” e o acusam de privilegiar a economia ortodoxa e liberal — uma disputa que reaparece a cada anúncio de laureados.