A Polícia Federal cumpre, nesta quarta-feira (7), sete mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão contra um grupo acusado de vender fuzis e vazar informações sigilosas para a facção que atua no Complexo de Israel, na zona norte do Rio de Janeiro.
Entre os alvos da Operação Magen estão um policial civil, um policial militar e ex-policiais. A apuração é do Grupo de Investigações Sensíveis da PF (GISE), em conjunto com o Ministério Público do Rio (MPRJ), e também trata de lavagem de dinheiro.
Dez fuzis AR-15 entregues à liderança da facção
Segundo a PF, o grupo mantinha um núcleo estruturado para obter, transportar e revender armas de forma clandestina — fuzis de uso restrito, revólveres, pistolas, carregadores e munições. A investigação reuniu indícios de que dez fuzis AR-15 foram fornecidos diretamente à principal liderança criminosa do Complexo de Israel.
Acesso a sistemas restritos da administração pública
Os policiais e ex-policiais investigados conseguiam entrar em sistemas de acesso restrito e repassar à facção dados sobre mandados de prisão em aberto, endereços, registros de veículos e alvos de ações policiais em andamento.
Com a antecipação, de acordo com a apuração, os criminosos que atuam no complexo de favelas escapavam da repressão policial. As mesmas informações alimentavam investigações clandestinas montadas para extorquir outros criminosos.
O abastecimento de fuzis a facções do Rio passa por mais de uma frente: em agosto, a PF desarticulou um esquema de contrabando de peças de fuzis enviadas dos Estados Unidos para o mesmo mercado clandestino que agora aparece ligado aos alvos da Operação Magen.
Mais de R$ 100 milhões em contas pessoais e empresas de fachada
O dinheiro obtido com o esquema era ocultado por meio de sucessivas manobras de dissimulação, afirma a investigação. Em um intervalo de quatro anos, mais de R$ 100 milhões circularam entre contas pessoais e empresas de fachada ligadas ao grupo.
Suspeita de vazamento interno não é inédita
A hipótese de que informações sigilosas circulem antes das operações já apareceu em outros casos: em 2025, o resultado atípico da Operação Carbono Oculto — com oito dos 14 mandados não cumpridos — levou a própria PF a investigar se dados haviam sido repassados aos alvos antes da ação.
As acusações descritas na Operação Magen partem da investigação conduzida pela PF e pelo MPRJ e ainda não foram julgadas. O material divulgado não traz manifestação das defesas dos investigados nem das corporações a que eles pertencem.