Política

PF deflagra operação em 15 estados contra facções, tráfico e lavagem de dinheiro

Ação das FICCOs mira CV em SP, PCC no Paraná e bloqueia quase R$ 300 milhões no Maranhão
Brasão da PF em primeiro plano sobre cena periférica com pichação, retratando a operação da PF contra facções criminosas

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (18) uma das maiores ações integradas do ano contra o crime organizado no Brasil, mobilizando forças de segurança de 15 estados para combater tráfico de drogas e armas, lavagem de dinheiro e facções criminosas.

São 292 mandados em curso — 180 de busca e apreensão e 112 de prisão — cumpridos simultaneamente do Amapá ao Rio Grande do Sul pelas Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs).

Estados, alvos e valores bloqueados

Em São Paulo, a operação mira uma organização ligada ao Comando Vermelho envolvida com tráfico e disputas territoriais no interior do estado. Mandados de prisão e busca acompanham o bloqueio de contas que podem somar até R$ 70 milhões.

No Maranhão, a investigação apura uma rede de tráfico de cocaína e crack em larga escala — o estado concentra o maior bloqueio da ação, com quase R$ 300 milhões em bens e valores congelados. Em Pernambuco, os alvos são suspeitos de roubos de carga, tráfico de drogas e armas e lavagem de dinheiro no Sertão.

No Paraná, o alvo é um grupo com ligação ao PCC, também envolvido em disputas territoriais. No Rio Grande do Sul e na Bahia, a ação foca o desmantelamento de organizações de tráfico. No Espírito Santo, a investigação apura desvio e revenda de entorpecentes apreendidos.

No Amazonas, as investigações apontam para o envio de drogas pelo terminal de cargas do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes. Em Alagoas, suspeitos operavam uma pizzaria como fachada para o tráfico. No Pará, há suspeita de envolvimento de uma ex-servidora do Judiciário com integrantes de facção criminosa.

Em Sergipe, o foco é o tráfico de armas. No Amapá, um equipamento furtado foi recuperado durante a operação. Em Minas Gerais e no Ceará, as ações incluem prisão de condenados e suspeitos de crimes violentos.

As FICCOs reúnem polícias civis, militares e penais, Polícia Rodoviária Federal e secretarias estaduais de segurança, com coordenação da PF. O modelo de força-tarefa integrada ganhou relevância como resposta à descentralização das facções, que operam simultaneamente em múltiplos estados.

A Polícia Federal informou que as diligências seguem ao longo da quarta-feira e que novas prisões podem ocorrer nos próximos dias, à medida que as investigações avançam nos diferentes estados.

O Comando Vermelho e o PCC, alvos centrais da operação respectivamente em São Paulo e no Paraná, têm projeção que ultrapassa as fronteiras nacionais: os EUA ameaçam classificar as duas facções como organizações terroristas, medida que aceleraria sanções econômicas e colocaria o Brasil em posição diplomática delicada frente ao governo Trump.