Política

Sergipe reelege Rogério Carvalho e Alessandro Vieira para o Senado

PT e MDB garantem as duas vagas do estado em apuração decidida com mais de 99% das urnas contadas
Rogério Carvalho e Alessandro Vieira, senadores eleitos em Sergipe, discursam com o Senado Federal ao fundo

Sergipe definiu neste domingo (4) os dois senadores eleitos para a legislatura que começa em 2027, e nenhum deles é cara nova na Casa Alta: Rogério Carvalho (PT) e o delegado Alessandro Vieira (MDB) foram reconduzidos aos mandatos que já exercem desde 2019.

Com 99,32% das urnas apuradas, Carvalho somava 21,91% dos votos válidos e Vieira, 17,12%. A terceira cadeira sergipana segue nas mãos de Laércio Oliveira (PP), com mandato até 2031.

Os dois reeleitos chegaram ao Senado pelo mesmo ano, mas por trajetórias opostas. Carvalho é médico, com mestrado e doutorado em Saúde Coletiva pela Unicamp, e começou na política no movimento estudantil da Universidade Federal de Sergipe. Comandou a Secretaria de Saúde de Aracaju entre 2001 e 2006, depois a do estado, e em 2010 se tornou o deputado federal mais votado da história sergipana até então.

Vieira construiu a carreira na Polícia Civil, onde passou por perícia, estatísticas criminais, crimes cibernéticos, homicídios e combate à lavagem de dinheiro até chegar a delegado-geral. Trocou cerca de 17 anos de segurança pública pelo mandato parlamentar e, no Senado, integrou a CCJ, a CAE, a Comissão de Educação e Cultura e a CPI das Bets. Também assinou o parecer da PEC da Blindagem na CCJ, por indicação de Otto Alencar, recomendando a rejeição da proposta.

Como ficou a votação

Logo atrás dos eleitos, dois nomes ficaram a pouco mais de um ponto percentual da vaga: o delegado André David (Republicanos), com 16,27%, e André Moura (União Brasil), com 16,13%. Na sequência vieram Eduardo Amorim (Republicanos), com 9,51%, o ex-prefeito de Aracaju Edvaldo Nogueira (PDT), com 8,07%, e Rodrigo Valadares (PL), com 5,56%.

Iran Barbosa (Psol) fez 3,37%, Coronel Rocha (PL) ficou com 1,73% e Renatinha (DC) não passou de 0,32%. Brancos e nulos somaram quase 19% do total — 7,69% e 11,11%, respectivamente.

Por que a conta do Senado pesou tanto em 2026

A disputa sergipana foi uma peça da maior renovação de uma só vez na história do Senado, com 54 das 81 cadeiras em jogo. No resultado nacional, o PL elegeu isoladamente 16 senadores pelo país.

A aritmética explica o tamanho da aposta das duas pontas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que os governistas precisam de maioria na Casa, ou a próxima composição vai “avacalhar” o Supremo Tribunal Federal. Jair Bolsonaro (PL) já havia dito, em junho de 2025, que com mais senadores seu grupo “mandará mais que o Planalto”.

O ponto mais sensível é o impeachment de ministros do STF: é o Senado que julga integrantes da Corte por crimes de responsabilidade. O atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), já declarou que não pautará o tema.

O mesmo domingo também redesenhou outras bancadas. Em São Paulo, a direita levou as duas vagas, com Guilherme Derrite e André do Prado.