O PL elegeu 16 senadores nas eleições deste domingo (4), em um pleito que renovou dois terços da composição do Senado.
Foram 54 vagas em disputa — duas por estado e duas pelo Distrito Federal —, de um total de 81 cadeiras. Os dois candidatos mais votados em cada unidade da Federação assumem mandatos de oito anos.
O número de senadores eleitos pelo partido ainda podia mudar: a contagem seguia em atualização conforme o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) consolidava os resultados.
Por que esta eleição mexeu tanto no Senado
Em 2026, não houve apenas uma cadeira por estado em jogo. Cada unidade da Federação abriu duas vagas, e por isso o eleitor registrou dois votos distintos para o cargo de senador.
O desenho da disputa produziu a maior janela de mudança possível na Casa: de 81 senadores, 54 tiveram o mandato decidido no domingo. Os eleitos cumprem oito anos de mandato, período que atravessa duas eleições presidenciais.
Uma disputa tratada como prioridade
A corrida pelo Senado vinha sendo tratada como prioridade estratégica tanto pelo PL quanto pelo PT, em um cargo historicamente marcado por altos índices de votos brancos e nulos, como já apontaram levantamentos do TSE.
Com dois terços das cadeiras renovadas de uma só vez, o tamanho das bancadas eleitas define a correlação de forças para a pauta legislativa dos próximos anos, incluindo as votações que dependem de maioria qualificada.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou a afirmar ser preciso ter maioria no Senado para evitar que o Supremo Tribunal Federal seja “avacalhado”; o ex-presidente Jair Bolsonaro disse, em junho de 2025, que, com mais senadores que a oposição, seu grupo “mandará mais que o Planalto”. Entre os efeitos citados para uma eventual maioria de direita na Casa está a maior chance de avanço de um pedido de impeachment contra ministro do Supremo, tema que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), já afirmou não pretender pautar.
Números em consolidação
O total de 16 senadores eleitos pelo PL corresponde ao levantamento do g1 feito a partir dos dados oficiais do TSE, ainda sujeito a revisão enquanto a apuração avançava em todo o país.
A contagem por partido é uma das últimas a estabilizar em noites de eleição: ela depende do fechamento da votação em cada estado, já que a definição das duas vagas por unidade da Federação pode se decidir em margens estreitas.
Em Santa Catarina, por exemplo, as duas vagas ficaram com o PL: a deputada federal Carol de Toni e o vereador carioca Carlos Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, foram eleitos ao Senado neste domingo (4). Com 93,84% das urnas apuradas no estado, os dois somavam 33,43% e 25,21% dos votos válidos, respectivamente, à frente de Esperidião Amin (PP), Décio Lima (PT) e Afrânio Boppré (PSOL), segundo o TSE.
No Rio Grande do Sul, as duas vagas ficaram divididas entre PL e Novo: o deputado federal Sanderson e o deputado federal Marcel van Hattem foram eleitos ao Senado neste domingo (4). Com 91,53% das urnas apuradas no estado, os dois somavam 30,02% e 29,99% dos votos válidos, respectivamente, à frente de Manuela d’Ávila (PSOL) e Paulo Pimenta (PT), segundo o TSE. Os eleitos substituem os mandatos hoje ocupados por Paulo Paim (PT) e Luis Carlos Heinze (PP), que terminam em 31 de janeiro de 2027; a terceira cadeira do estado, com Hamilton Mourão (Republicanos), não estava em disputa nesta eleição.
No Rio de Janeiro, as duas vagas também ficaram com o PL: o senador Carlos Portinho e o deputado federal Carlos Jordy foram eleitos ao Senado neste domingo (4). Com 99,66% das urnas apuradas no estado, os dois somavam 26,78% e 24,57% dos votos válidos, respectivamente, à frente de Benedita da Silva (PT), Pedro Paulo (PSD) e Mônica Benício (PSOL), segundo o TSE. Portinho, senador desde 2020, se reelege com mandato até 2034; Jordy assume a vaga hoje ocupada por Flávio Bolsonaro (PL), que não disputou a reeleição para concorrer à Presidência da República. A terceira cadeira do Rio, ocupada por Romário Faria, hoje sem partido, não estava em disputa nesta eleição, com mandato até 2031.
Em Roraima, as duas vagas ficaram divididas entre PL e MDB: o deputado federal Nicoletti e a ex-prefeita de Boa Vista Teresa Surita foram eleitos ao Senado neste domingo (4). Com 100% das urnas apuradas no estado, os dois somavam 22,68% e 19,24% dos votos válidos, respectivamente, à frente de Helena da Asatur (PSD), Chico Rodrigues (PSB) e Hélio Bolsonaro (PL), segundo o TSE. Os eleitos substituem os mandatos hoje ocupados por Chico Rodrigues (PSB), que concorria à reeleição, e por Roberta Acioly (Republicanos), que havia assumido a vaga em março de 2026 após a renúncia de Mecias de Jesus (Republicanos) para o Tribunal de Contas do Estado de Roraima; ambos os mandatos terminam em 31 de janeiro de 2027. A terceira cadeira do estado, ocupada por Dr. Hiran (PP), não estava em disputa nesta eleição, com mandato até 2031.
Onde acompanhar os resultados
Os números oficiais do pleito ficam disponíveis por unidade da Federação e por cargo — presidente da República, governadores, senadores, deputados federais, estaduais e distritais —, com painéis e mapas que permitem comparar o desempenho dos candidatos em cada estado.
Até a última atualização, a lista nominal dos senadores eleitos pelo partido seguia sendo completada à medida que os resultados eram confirmados.