Política

Ceará elege Cid Gomes e Luizianne e terá bancada de esquerda no Senado

Com Camilo Santana, estado passa a ter três senadores de partidos de esquerda a partir de 2027
Retratos dos senadores eleitos pelo Ceará ao lado do plenário do Senado Federal em Brasília

O Ceará definiu neste domingo (4) seus dois novos representantes no Senado: Cid Gomes (PSB) e Luizianne Lins (Rede), eleitos com 31,08% e 28,92% dos votos válidos, quando 97,35% das urnas estavam apuradas.

Ficaram de fora Capitão Wagner (União), terceiro colocado com 20,83%, e Alcides Fernandes (PL), com 18,41%. Os demais quatro candidatos não passaram de 0,41% cada. Votos brancos (7,18%) e nulos (10,54%) somaram 17,72% da votação.

Cid Gomes chega ao segundo mandato consecutivo. No Senado desde 2019, o ex-governador renova a cadeira até 2034. Engenheiro civil formado pela UFC, ele foi deputado estadual, prefeito de Sobral por dois mandatos, governador do Ceará duas vezes e ministro da Educação de Dilma Rousseff por dois meses, em 2015. É irmão de Ciro Gomes (PSDB), derrotado na disputa pelo governo estadual por Elmano de Freitas (PT).

A cadeira que mudou de lado

A vaga conquistada por Luizianne pertencia a Eduardo Girão (Novo), que desistiu de tentar a reeleição para disputar a vice-presidência na chapa de Romeu Zema (Novo). A troca redesenha a representação cearense: somada ao mandato do ex-ministro da Educação Camilo Santana (PT), que vai até 2031, a bancada do estado passa a ser formada apenas por senadores de partidos de esquerda.

Jornalista e professora licenciada da UFC, com mestrado na PUC-RJ e doutorado na PUC-SP, Luizianne foi vereadora, deputada estadual, prefeita de Fortaleza por dois mandatos e deputada federal em três legislaturas. Filiada ao PT durante quase toda a trajetória, deixou o partido em 2026 para viabilizar a candidatura ao Senado, integrando a chapa de Elmano, reeleito governador.

A disputa cearense foi só uma peça de um tabuleiro maior: a renovação de dois terços da Casa, com 54 das 81 cadeiras em jogo neste ano em todo o país.

Por que o Senado virou o centro do jogo em 2026

A dimensão nacional da eleição foi explicitada pelos dois polos. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que seria preciso garantir maioria na Casa Alta ou os adversários iriam “avacalhar” o Supremo Tribunal Federal. Do outro lado, Jair Bolsonaro (PL) disse em junho de 2025 que, com mais senadores eleitos, seu grupo mandaria “mais que o Planalto”.

O cálculo por trás das declarações é objetivo: uma maioria de direita no Senado amplia a chance de que um pedido de impeachment contra ministro do STF avance. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), já declarou que não pretende pautar o assunto.

O temor do Planalto com a composição do Senado não é hipotético. Meses antes da eleição, o governo viu a indicação de Jorge Messias ao STF ser rejeitada pelos senadores, a primeira derrota do tipo em mais de 130 anos.

Os resultados seguem sujeitos a ajustes: segundo o TSE, as informações apresentadas à Justiça Eleitoral são de responsabilidade dos candidatos e dos partidos, e contestações judiciais podem alterar registros depois da apuração.