Tartarugalzinho, no Amapá, decretou situação de emergência nesta sexta-feira (2) por causa da seca severa que atinge o município pelo quarto ano consecutivo.
A queda no nível dos rios já provoca a morte de peixes em diferentes áreas e atinge diretamente quem vive da pesca e da produção rural.
Diferente dos anos anteriores, a estiagem se intensificou mais cedo, e a prefeitura montou uma força-tarefa para atender as localidades mais afetadas.
Rio com areia exposta e escadas longe da água
Um dos principais cursos d’água do município, o rio Tartarugalzinho tem hoje trechos com pouca água e grandes faixas de areia à vista. As escadas que davam acesso ao rio aparecem inteiramente expostas, medida visível da queda no volume.
Nas comunidades Lago Novo e Terra Firme, onde o g1 ouviu pescadores, o quadro é o mais grave: além da mortandade de peixes, moradores enfrentam dificuldade para se locomover, já que o rio é a estrada local.
Levantamento da Defesa Civil Municipal mostra a mudança de calendário. Nos anos anteriores, os efeitos mais duros da estiagem apareciam entre o fim de outubro e o início de novembro. Neste ano, começaram antes.
Decreto é a porta de entrada para recursos
Segundo a prefeitura, o objetivo do ato é viabilizar apoio dos governos estadual e federal, com dinheiro e estrutura para as áreas mais castigadas. O decreto segue o mesmo caminho adotado por outros 31 municípios reconhecidos em emergência por estiagem ou seca em julho, passo que destrava o pedido de verba federal.
A força-tarefa municipal reúne Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e Secretaria Municipal de Assistência Social. Os mais prejudicados são pescadores, agricultores familiares e produtores rurais — e o prejuízo não para na porta deles: a produção de Tartarugalzinho abastece outras cidades do estado.
O fogo anda junto com a seca
A segunda frente de preocupação das autoridades é a queimada. Dados do Painel do Fogo apontam Calçoene com mais de 50% de todos os focos de calor registrados no Amapá, e Tartarugalzinho na sequência, como segundo município do estado em número de focos.
BR-156 vira corredor de fumaça
O Corpo de Bombeiros aponta que a maior parte das queimadas suspeitas se concentra na BR-156, principal ligação entre municípios, frequentemente tomada pela fumaça. Nas margens, o capim rasteiro seco funciona como combustível: uma faísca pode correr quilômetros empurrada pelo vento.
O comportamento das chamas muda com o terreno, segundo as autoridades. Na floresta, o fogo é mais intenso, mas avança devagar. Em área de campo, o calor, o capim seco e o vento aceleram tudo.
O município não é novato nessa lista: Tartarugalzinho já havia sido apontado como o município com mais áreas atingidas por incêndios florestais no Amapá em 2025, ano em que o estado conseguiu reduzir os focos em 52%.