Economia

Petrobras corta 10% do diesel para maio e descarta importações

Corte menor que em abril, mas estatal mantém recusa a compras externas enquanto preços internacionais disparam com a guerra
Petrobras corta diesel distribuidoras maio: sede estatal com contexto de governança energética

A Petrobras voltou a restringir o fornecimento de diesel para as maiores distribuidoras do país. Para maio, o corte gira em torno de 10% do volume contratado — redução menor do que a de abril, quando a estatal recusou cerca de 20% da cota solicitada.

A informação foi apurada pela Reuters com duas fontes de empresas distintas, sob condição de anonimato. A Petrobras não comentou o assunto quando procurada.

Em paralelo, a estatal confirmou que não fará importações de diesel em abril nem em maio, apostando na produção interna para cumprir seus compromissos.

Em abril, o corte de 20% nas entregas forçou as maiores distribuidoras a dobrar as próprias importações para honrar contratos. Agora, com restrição menor para maio, o mercado respira com menos aperto — mas a tensão persiste, e a Petrobras já sinalizou que deve ofertar menos em maio do que em abril.

A justificativa da estatal para evitar importações passa pelo adiamento de uma parada programada na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná. A medida melhorou o balanço interno do combustível e, segundo a empresa, “reduziu a necessidade de importações diante dos compromissos previstos para abril e maio de 2026”.

A situação vem se arrastando desde março, quando a ANP chegou a notificar formalmente a Petrobras para que recolocasse no mercado volumes de leilões que haviam sido cancelados.

Quem está pedindo mais do que precisa?

Fontes da própria Petrobras ouvidas pela Reuters contestam que haja desabastecimento real. Segundo elas, a estatal tem atendido à média dos volumes dos últimos três meses. O problema, na leitura da empresa, estaria do outro lado: as grandes distribuidoras estariam pedindo “muito mais do que o mercado é capaz de absorver”, numa tentativa de ganhar fatia de concorrentes menores.

O Brasil importa cerca de 25% de sua demanda de diesel — o combustível mais negociado do país. A guerra no Golfo Pérsico pressionou os preços internacionais e tornou as importações mais onerosas, criando o cenário atual de tensão entre produção interna e demanda crescente das distribuidoras.

No front político, o atrito é aberto. Ministros do governo têm acusado distribuidoras e outros agentes da cadeia de elevar os preços ao consumidor por oportunismo. A acusação encontra respaldo em levantamento que mostrou margens de distribuidoras crescendo até 70% desde o início do conflito no Golfo Pérsico, mesmo após os pacotes de subsídio do governo.

Para tentar conter a alta nos postos, o governo lançou um programa de subsídios ao diesel importado, com ressarcimento de até R$ 1,20 por litro. O programa foi costurado com ao menos 17 estados, que concordaram em dividir o custo do ressarcimento no diesel importado.

Com novos cortes confirmados para maio, distribuidoras já avaliam ampliar as próprias importações para cobrir a diferença — o que eleva custos e alimenta o ciclo de pressão sobre os preços. A Petrobras segue no centro das críticas: pressionada pelo governo a conter reajustes, cobrada pelas distribuidoras por volume insuficiente e vigiada pelo regulador desde março.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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