Economia

Haddad leva proposta a estados sobre ICMS do diesel, mas governadores resistem

Confaz se reúne nesta quarta sem sinalizar abertura para corte do tributo estadual sobre combustíveis
Ministro Haddad apresenta proposta para redução ICMS diesel a estados em reunião fiscal

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou nesta quarta-feira (18) que levará uma proposta de redução do ICMS sobre o diesel à reunião com os estados — sem revelar os termos da oferta.

A iniciativa ocorre durante o Confaz, que reúne secretários estaduais de Fazenda, e chega após os governadores já terem sinalizado que não reduzirão o tributo sobre combustíveis.

Estados fecham posição antes da reunião

Na véspera do encontro, o Comsefaz — comitê que reúne os secretários estaduais de Fazenda — anunciou formalmente que não reduziria o ICMS sobre combustíveis, sustentando que cortes no imposto estadual raramente chegam ao consumidor final.

A justificativa é respaldada por estudo do Instituto de Pesquisa em Petróleo, Gás e Biocombustíveis (Ineep) de 2025: parte das reduções tributárias tende a ser absorvida ao longo da cadeia de distribuição e revenda, limitando o efeito nas bombas. Os governadores também argumentam que a queda na arrecadação do ICMS prejudicaria o financiamento de políticas públicas estaduais — o que estreita a margem política de Haddad para avançar na negociação.

Decreto federal e pressão por reciprocidade

A pressão da Fazenda veio na esteira do decreto federal que zerou PIS e Cofins sobre o diesel e criou um subsídio de até R$ 10 bilhões para produtores e importadores do combustível. Com a desoneração federal já em vigor, Lula passou a questionar publicamente se os estados seguiriam o mesmo caminho no ICMS.

A resposta dos governadores, até o início da reunião desta quarta, permanecia negativa. Cada estado tem autonomia tributária e não é obrigado a reduzir seus tributos, mesmo diante da pressão federal.

O argumento de Haddad é que as ações federais já estariam elevando indiretamente a arrecadação dos estados — o que criaria espaço para redução do ICMS sem comprometer o caixa estadual. Os governadores, contudo, não sinalizaram abertura para ceder.

O impasse reforça um padrão recorrente nas disputas federativas sobre tributação: o governo federal recorre a desonerações seletivas para pressionar estados, mas a autonomia constitucional dos entes federados funciona como escudo contra qualquer obrigatoriedade de repasse ao consumidor.

O desfecho da reunião do Confaz desta quarta-feira deve definir se a proposta de Haddad tem viabilidade política — ou se o preço do diesel seguirá sob pressão tributária estadual sem previsão de alívio.

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