O Ministério da Fazenda descartou a possibilidade de realizar aportes do Tesouro Nacional para ajudar os Correios, segundo declarações de Carlos Hamilton nesta segunda-feira (22). A estatal enfrenta dificuldades financeiras, mas o governo prioriza o equilíbrio fiscal e orienta a busca por soluções internas.
O secretário-executivo Dario Durigan também afirmou nesta terça-feira (17) que o governo não “vê com bons olhos” socorro financeiro direto à empresa.
Crise financeira e resistência da Fazenda
Os Correios atravessam uma grave crise financeira, acumulando prejuízo de R$ 4,3 bilhões no primeiro semestre de 2025, valor três vezes superior ao mesmo período de 2024. No segundo trimestre, as perdas chegaram a R$ 2,6 bilhões, quase cinco vezes o registrado entre abril e junho do ano anterior. O início de 2025 já havia sido negativo, com R$ 1,7 bilhão de déficit, o pior resultado desde 2017.
O secretário especial de Fazenda, Carlos Hamilton, enfatizou que aportes do Tesouro poderiam comprometer o equilíbrio fiscal, objetivo central do governo. Ele defende que a estatal busque soluções internas e melhore sua gestão para enfrentar os desafios.
O secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, reforçou a posição do governo, declarando que não “vê com bons olhos” a possibilidade de socorro financeiro direto do Tesouro Nacional aos Correios.
Planos de reestruturação e ações do governo
O governo trabalha em duas frentes para enfrentar a crise dos Correios. A primeira foi a troca no comando da estatal: o Conselho de Administração aprovou o nome do economista Emmanoel Schmidt Rondon para a presidência, com posse prevista ainda nesta semana.
Paralelamente, está em elaboração um plano emergencial para ser implementado em 2025, além de uma estratégia de médio e longo prazo para garantir a sustentabilidade da empresa. Segundo Dario Durigan, banqueiros cobraram prioridade do governo no enfrentamento da crise durante reunião recente. “O governo tem interesse em dar suporte”, afirmou o secretário, relatando apelos para que a estatal não fique “à deriva”.
Entre janeiro e junho, os Correios acumularam R$ 3,4 bilhões em despesas administrativas, alta de 74% em relação ao mesmo período de 2024, impulsionada por reajustes salariais a mais de 55 mil funcionários e pelo crescimento das dívidas judiciais.