O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, pediu na segunda-feira (14/9) uma “ação urgente” para regulamentar a inteligência artificial, diante dos riscos sem precedentes apresentados pelos sistemas mais avançados da tecnologia.
Em comunicado, Türk afirmou que “todos os direitos humanos estão ameaçados” pela IA, incluindo o direito à vida, e cobrou que Estados e empresas se mobilizem em estruturas multilaterais para conter os riscos.
Divisão entre gigantes da tecnologia
A preocupação com o ritmo acelerado da IA já mobiliza o próprio setor. No sábado (12/9), o CEO da Anthropic, Dario Amodei, defendeu uma desaceleração no desenvolvimento da tecnologia para permitir uma avaliação mais aprofundada dos riscos associados às novas capacidades da IA — posição que recebeu apoio público do CEO da OpenAI, Sam Altman, e do bilionário Elon Musk. A posição de Amodei não é nova: em julho, ele foi um dos mais de 1.000 funcionários do setor a assinar a petição “Pacing the Frontier”, que já pedia ao governo americano que impusesse um freio coordenado no avanço da IA de fronteira.
Na terça-feira (15/9), a OpenAI, a Anthropic e a Google DeepMind anunciaram que trabalham em conjunto na criação de um órgão dedicado a supervisionar os riscos associados à tecnologia — um passo concreto na direção cobrada por reguladores.
Trump nega e fala em “conspiração”
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discorda do freio defendido por parte do setor. Na segunda-feira (14/9), ele denunciou uma suposta “conspiração doentia” contra o desenvolvimento da IA. “O único que está feliz com isso é a China”, escreveu o republicano em sua plataforma, a Truth Social.
Para Türk, “a atual corrida por uma IA cada vez mais poderosa representa uma mudança radical e expõe todos os aspectos de nossas vidas a um risco existencial crescente”. O alto comissário lamentou ainda que o mundo dependa quase que inteiramente de um pequeno número de empresas poderosas para tomar as decisões corretas sobre o desenvolvimento da IA para o benefício de toda a humanidade.
O alerta de segunda-feira (14/9) não é isolado. A declaração de Türk aprofunda o alerta que ele mesmo havia feito oito dias antes ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, quando chamou a IA de “risco existencial para a humanidade” e anunciou o envio de cartas às empresas do setor exigindo medidas imediatas.
Türk pediu que os principais desenvolvedores de IA, “localizados principalmente na República Popular da China e nos Estados Unidos”, assumam responsabilidade e ajam imediatamente para reduzir os riscos. O tema também preocupa Pequim: no domingo (13/9), o chefe da inteligência chinesa alertou que a IA pode ameaçar a segurança nacional do país, já que potências estrangeiras poderiam usar a tecnologia para desestabilizá-lo.
Na quarta-feira (16/9), o secretário-geral da ONU, António Guterres, ampliou o coro ao defender uma “coordenação global” para lidar com a IA e alertar para uma “corrida rumo ao abismo” diante dos riscos da tecnologia. Guterres anunciou que o tema será discutido na Assembleia Geral da ONU, que acontece nesta semana em Nova York. “O avanço está ocorrendo mais rápido do que nossa compreensão dos riscos”, afirmou.
Também na quarta-feira (16/9), a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou que reuniria grandes empresas do setor para apoiar esforços destinados a desacelerar o desenvolvimento dos modelos de IA mais potentes.