Romeu Zema (Novo) chamou de “imperdoável” a conduta do senador Flávio Bolsonaro (PL-SP) nesta quarta-feira (13) após reportagens revelarem que o parlamentar teria cobrado repasses do banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse.
A produção biográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro teria recebido ao menos R$ 61 milhões ligados ao dono do Banco Master entre fevereiro e maio de 2025, segundo o Intercept Brasil.
“Ouvir você cobrando dinheiro do Vorcaro é imperdoável. É um tapa na cara dos brasileiros de bem”, declarou Zema em vídeo publicado no Instagram.
A defesa de Flávio Bolsonaro
Em nota à imprensa, Flávio admitiu o contato com Vorcaro, mas negou qualquer irregularidade. O senador afirmou que conheceu o banqueiro em dezembro de 2024, após o término do governo Bolsonaro, e que buscava apenas “patrocínio privado para um filme privado”, sem uso de recursos públicos ou Lei Rouanet.
“Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem. Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro”, afirmou o senador no texto divulgado à imprensa.
Flávio também defendeu a instalação de uma CPI para investigar o Banco Master. A proposta soa contraditória: dias antes de virar alvo das críticas de Zema, o senador usou o escândalo do Banco Master como munição eleitoral contra o PT — cobrando a mesma CPI que agora apresenta como instrumento de defesa própria.
Para Zema, a postura do senador corrói a credibilidade da direita: “Não adianta nada criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa. É preciso ter credibilidade para mudar o Brasil”, disse o ex-governador mineiro.
De aliados a adversários
A crise expõe uma virada brusca no relacionamento entre os dois políticos. Até recentemente, Zema e Flávio eram apontados como possíveis parceiros eleitorais. Em abril, um vídeo publicado em conjunto nas redes sociais mostrava Zema sugerindo, em tom descontraído, que Flávio fosse seu vice em eventual chapa ao Palácio do Planalto em 2026.
O episódio alimenta a tensão crescente entre grupos da direita em torno das candidaturas presidenciais. Enquanto aliados do bolsonarismo saíram em defesa do senador nas redes sociais, integrantes da esquerda aproveitaram o caso para cobrar explicações sobre os supostos repasses e associá-los à família Bolsonaro.
Outras candidaturas reagem
O pré-candidato ao Planalto Renan Santos (Partido Missão), dirigente do MBL, também atacou Flávio Bolsonaro. “Onde há escândalo de corrupção, há Flávio Bolsonaro”, declarou. Renan chegou a mencionar Zema ao afirmar que “sobrou eu, sobrou o Zema”, mas ponderou que o político do Novo ainda teria de explicar supostos vínculos indiretos com a família Vorcaro.
O governador de Goiás e pré-candidato Ronaldo Caiado (PSD) e o presidente Lula não haviam se pronunciado sobre o caso até o fechamento desta reportagem.
