O Banco Central afirmou nesta quarta-feira (2) que o endividamento das famílias e empresas brasileiras segue pressionado pela taxa básica de juros, mantida em 14% ao ano para conter a inflação.
A avaliação consta na ata do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef), reunido no fim de agosto, que também sinalizou a preparação de medidas para reduzir riscos ligados ao crédito mais caro nas dívidas das famílias.
Renda comprometida e inadimplência em alta
Segundo o Banco Central, o endividamento das famílias brasileiras permanece em patamar historicamente alto. O comprometimento de renda com o pagamento de dívidas atingiu o maior nível da série histórica, enquanto a inadimplência bate recordes sucessivos, segundo a ata do Comef divulgada nesta quarta-feira (2).
A autoridade monetária associa esse quadro à elevada participação de modalidades de crédito mais caras — como o consignado — na composição da dívida das famílias, e afirma que já prepara medidas para mitigar os riscos decorrentes dessa concentração.
Empresas sentem aperto nas finanças
No universo corporativo, o BC identificou que a maioria das empresas ainda demonstra resiliência diante do cenário de juros elevados. Mas o comitê notou uma mudança de tendência: caiu o número de companhias com aumento do lucro líquido, e cresceu o número daquelas com elevação da despesa financeira — reflexo direto do custo do crédito no país.
BC de olho no cenário internacional
Além do quadro doméstico, o Banco Central afirmou acompanhar de perto o agravamento das tensões no Oriente Médio. A instituição diz estar preparada para atuar “de forma a minimizar eventual contaminação desproporcional sobre os preços dos ativos locais”, caso o conflito produza efeitos sobre os mercados brasileiros.
O alerta do Comef reforça uma preocupação que já vinha sendo tratada pelo governo. Em abril, o governo passou a punir bancos com juros abusivos no consignado privado, medida diretamente ligada ao endividamento das famílias que volta agora ao centro do alerta da autoridade monetária.