A Azzas 2154, holding que reúne marcas como Farm, Hering, Animale e Schutz, formalizou nesta quarta-feira (2) a cisão do grupo, menos de dois anos após sua criação.
A reorganização separa os negócios em duas companhias: a Arezzo&Co, comandada pelo bloco de Birman, e a SOMA, sob liderança do bloco de Jatahy. Ambas vão buscar listagem independente no Novo Mercado da B3.
A decisão vem após queda nos resultados financeiros e disputas públicas entre os grupos de acionistas que comandam o conglomerado.
Disputas no comando e mudanças na governança
A separação foi anunciada após um ano de instabilidade na cúpula da Azzas 2154. Em maio de 2025, Guilherme Benchimol, fundador da XP, renunciou ao conselho de administração por ‘outros compromissos profissionais’, sendo substituído por André De Vivo.
Em junho, a empresa reestruturou o colegiado e nomeou Nicola Calicchio Neto como presidente e Marcel Sapir como vice-presidente, no lugar de Pedro Parente e Anna Chaia. Nos meses seguintes, outros executivos deixaram a companhia, incluindo Rony Meisler, fundador da Reserva, e o próprio Calicchio Neto.
Ação judicial e queda de resultados
O impasse entre os sócios ficou mais evidente em maio, quando Jatahy processou Birman para barrar mudanças internas promovidas pela então presidência. A Justiça acatou o pedido e manteve Jatahy à frente das unidades de vestuário feminino e masculino, decisão que Birman tentou reverter sem sucesso.
Segundo Birman e Jatahy, em comunicado ao mercado, a reorganização ‘tem por propósito permitir que cada companhia resultante opere com administração separada, com foco em seus respectivos modelos de negócios e oportunidades de mercado’.
Origem da fusão e reação do mercado
A Azzas 2154 nasceu em 2024 da fusão entre a Arezzo&Co, forte em calçados, bolsas e acessórios com marcas como Arezzo e Schutz, e o Grupo Soma, com atuação em vestuário por meio de grifes como Farm, Animale e Hering. A união criou uma das maiores holdings de moda do país, com mais de 30 marcas, cerca de 2 mil lojas e faturamento conjunto estimado em R$ 12 bilhões.
À época, a operação foi bem recebida pelo mercado financeiro, que via na fusão a chance de consolidar um portfólio amplo para o consumidor de renda média e alta. Menos de dois anos depois, porém, o cenário mudou: no segundo trimestre de 2026 o lucro líquido recorrente da companhia caiu 62,5%, para R$ 106,5 milhões, enquanto a receita líquida recuou 8,2%, para R$ 2,66 bilhões — movimento que já vinha do primeiro trimestre, quando o lucro caiu 45,7% e o valor de mercado da empresa recuou pela metade.
A reorganização prevê ainda uma sociedade específica para reunir a Farm e suas extensões, com participação de 57,4% da Arezzo&Co e 42,6% da SOMA, num desenho que tenta preservar o ativo mais valorizado do grupo mesmo após a separação.