A Procuradoria-Geral da República (PGR) encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma proposta de delação premiada de João Carlos Mansur, fundador e ex-presidente do conselho da Reag. O pedido está sob análise do ministro André Mendonça, sem prazo para decisão.
Nos 17 anexos entregues, Mansur detalha como fundos do grupo foram estruturados para lavagem de dinheiro e aponta o caminho para localizar R$ 20 bilhões ligados a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Termo de confidencialidade e negociação com a PGR
Mansur assinou um termo de confidencialidade com a Polícia Federal e com a PGR meses atrás, primeiro passo formal antes da entrega de documentos e eventuais provas dos crimes investigados. A negociação avançou, no entanto, apenas com a Procuradoria — a interlocução com a PF não teve o mesmo desfecho.
Os R$ 20 bilhões que o fundador da Reag promete ajudar a rastrear já tinham parte do trajeto mapeada: a Receita Federal identificou R$ 12,2 bilhões em aportes de Vorcaro e do Master nos fundos da Reag entre 2017 e 2025, entre eles o Hans II, comandado pelo próprio Mansur.
De alvo a delator
Mansur foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Master, em janeiro deste ano. No mesmo dia, o Banco Central decretou a liquidação da Reag. Antes disso, o grupo já havia sido alvo da Operação Carbono Oculto, que apura lavagem de dinheiro para o crime organizado, incluindo o PCC.
A proposta de Mansur chega ao STF em ritmo bem diferente do que se viu com Vorcaro: por meses, a colaboração do próprio dono do Banco Master travou na Polícia Federal e na PGR por falta de fatos substancialmente novos. Foi seu sócio na Reag quem chegou primeiro a uma proposta formal de colaboração.
Os fundos citados na negociação não são desconhecidos da Justiça: em 2023, Vorcaro chegou a lucrar R$ 440 milhões com fundos da Reag antes de ser preso, entre eles o mesmo Hans II hoje citado na colaboração de Mansur.
Pela regra da colaboração premiada, a partir do recebimento da proposta todo o processo passa a ser sigiloso. Caso a delação avance, Mansur também terá de renunciar ao direito ao silêncio em todos os depoimentos que prestar aos investigadores.