A ONU e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) reforçaram nesta terça-feira (25) o apelo por proibições e limites ao uso de armas autônomas — sistemas capazes de identificar e atacar alvos sem comando humano direto, apelidados de “robôs assassinos”.
As duas organizações não pedem banimento total da tecnologia, mas defendem regras claras antes que esses sistemas, já em desenvolvimento, passem a ser usados de forma ampla em combate.
Corrida tecnológica ultrapassa a legislação
Segundo a declaração conjunta, as preocupações sobre armas autônomas não são novas, mas os riscos cresceram nos últimos anos. “As armas autônomas não pertencem a um futuro distante. A corrida para ampliar a autonomia dos sistemas de armas já está em andamento”, afirma o texto assinado pelas duas organizações.
O alerta ecoa um diagnóstico anterior da própria ONU: em julho, um painel científico do organismo já havia concluído que os governos estão perdendo a corrida contra o avanço da inteligência artificial e contam com poucos mecanismos para controlar sistemas altamente autônomos.
O novo apelo ocorre às vésperas de uma reunião em Genebra, marcada para novembro, dedicada a fortalecer a Convenção sobre Certas Armas Convencionais — acordo internacional que reúne países para debater limites a armamentos considerados particularmente preocupantes. Para a ONU e o CICV, esse fórum representa o caminho mais concreto para transformar o debate em regras obrigatórias.
As tentativas de restringir essas tecnologias se arrastam há anos sem resultado definitivo, mesmo com o uso crescente de drones e sistemas não tripulados em conflitos como a guerra entre Rússia e Ucrânia, além de confrontos no Oriente Médio e no Sudão.
Uso na Ucrânia ainda é limitado
Na Ucrânia, veículos robóticos terrestres têm sido usados principalmente para transportar equipamentos, abastecer tropas e retirar feridos do campo de batalha, numa tentativa de reduzir a exposição de soldados diante da presença cada vez maior de drones. O governo ucraniano também tenta ampliar sistemas robóticos armados para aliviar a infantaria, que enfrenta desvantagem numérica em várias frentes — mas esses projetos ainda têm alcance restrito.
Para a ONU e a Cruz Vermelha, o apoio a limites não parte apenas de organizações humanitárias: cientistas e engenheiros que desenvolvem essas tecnologias também defendem restrições ao seu uso. “Quando os próprios criadores dessa tecnologia pedem restrições, os Estados não podem permanecer passivos”, diz a declaração, que classifica 2026 como o ano em que as negociações internacionais precisam mudar de rumo.