O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, descartou nesta terça-feira (19) qualquer rivalidade entre o PIX e os cartões de crédito. Ao contrário, sustentou que o sistema de pagamentos instantâneos ampliou o volume de empréstimos via cartão ao trazer mais brasileiros para o sistema financeiro.
A declaração foi feita durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal. O argumento central é que a popularização do PIX gerou bancarização — mais clientes de banco e, consequentemente, mais acesso a crédito.
A lógica apresentada por Galípolo é direta: ao atrair para o sistema financeiro pessoas que antes operavam apenas com dinheiro em espécie, o PIX criou uma nova base de clientes bancários. Com essa inserção, passaram a ter acesso a produtos financeiros, entre eles o cartão de crédito — e as linhas de empréstimo que o acompanham.
O argumento ganha peso diante da pressão internacional sobre o sistema. Em julho de 2025, o governo americano abriu uma investigação comercial a pedido do presidente Donald Trump que colocou o PIX na mira de Washington. Um relatório da Casa Branca divulgado em abril deste ano classificou o sistema como prejudicial a gigantes do setor, como Visa e Mastercard.
O documento que formalizou o processo não mencionou o PIX pelo nome, mas fez referência a “serviços de comércio digital e pagamento eletrônico”, incluindo os operados pelo Estado brasileiro — leitura amplamente interpretada como crítica direta ao sistema do BC.
A defesa do PIX foi uma das prioridades da delegação brasileira no encontro entre Lula e Trump em Washington, após o USTR abrir investigação apontando o sistema como nocivo a empresas americanas. Entenda o que Lula levou como pauta ao encontro com Trump.
PIX como pauta diplomática
Apesar da ofensiva americana, Trump não mencionou o PIX diretamente durante o encontro com Lula na Casa Branca — o que levou o presidente brasileiro a brincar que espera que o americano “crie um PIX um dia”. Relembre como Lula reagiu à ausência do tema na conversa com Trump.
O ambiente geopolítico em torno do sistema dá tom ao depoimento de Galípolo no Senado. A audiência na CAE havia sido convocada originalmente para questionar o presidente do BC sobre o escândalo do Banco Master, mas acabou marcada também pela defesa pública do PIX diante dos senadores. Veja o que mais foi discutido na sessão sobre o Banco Master.
A postura de Galípolo reforça a estratégia do governo de apresentar o PIX como instrumento de inclusão financeira — e não de concorrência desleal —, tanto no debate doméstico quanto nas negociações comerciais com os Estados Unidos.
