A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alertou nesta semana para uma nova frente de desinformação em saúde: perfis inteiramente criados por inteligência artificial que se apresentam como gurus e vendem e-books com receitas milagrosas para tratar ou curar doenças.
Um dos casos citados pela agência reúne mais de 600 mil seguidores e usa a imagem de uma mulher indígena gerada por IA, que promete recuperar a saúde do público em apenas sete dias.
Cúrcuma e a promessa de eliminar parasitas
Entre as receitas divulgadas por esses perfis está o consumo de cúrcuma por 30 dias para eliminar parasitas e vermes. A Anvisa afirma que não existem evidências científicas robustas em humanos que sustentem esse tipo de uso da especiaria.
A indicação chama atenção porque, em abril, a própria agência estabeleceu dose máxima e exigiu alertas de risco ao fígado para suplementos de cúrcuma — agora, o mesmo ingrediente reaparece sendo indicado para eliminar parasitas, sem qualquer respaldo científico.
Uma lacuna na regulação
Livros, incluindo e-books, não são produtos regulados pela Anvisa. A autuação só ocorre quando o conteúdo digital é vendido em conjunto com medicamentos, suplementos ou outros itens sujeitos à vigilância sanitária — e mesmo assim, a análise depende de cada caso.
Segundo a Anvisa, seguir esse tipo de orientação pode gerar uma falsa sensação de segurança, atrasar a busca por atendimento médico e agravar quadros de saúde. A agência reforça que natural não é sinônimo de seguro: plantas medicinais também podem causar efeitos adversos, intoxicações e reações alérgicas.
Parte de um padrão maior de fraudes em saúde digital
O caso se soma a um cenário mais amplo de fraudes em saúde nas redes sociais. Levantamento de 2025 já apontava que a comercialização de receitas e atestados médicos falsos havia crescido mais de 20 vezes em plataformas como Telegram, Instagram e TikTok. Não é a primeira vez, ainda, que a Anvisa alerta sobre substâncias vendidas online com promessas terapêuticas sem registro: em junho, o peptídeo GHK-Cu chegou a ser autoadministrado na forma injetável por usuários, sem aprovação da agência no Brasil.
A orientação da Anvisa ao público é verificar a origem das informações de saúde encontradas online e desconfiar de promessas de cura rápida ou de tratamentos apresentados como puramente “naturais”.