Os investidores estrangeiros retiraram R$ 15,63 bilhões da B3 entre os dias 1º e 13 de agosto, segundo levantamento da Elos Ayta Consultoria. O volume é a maior saída mensal de capital estrangeiro da bolsa brasileira desde o início da série histórica, em janeiro de 2022.
O montante já supera o recorde anterior, de R$ 13,28 bilhões negativos em maio, e chama atenção por ter sido atingido em apenas nove pregões — menos da metade dos 21 dias de negociação daquele mês.
Reviravolta no fluxo de capital estrangeiro em 2026
O comportamento dos investidores internacionais na B3 mudou ao longo do ano. Nos três primeiros meses, o capital estrangeiro entrou com força: R$ 26,31 bilhões em janeiro, R$ 15,40 bilhões em fevereiro e R$ 11,66 bilhões em março — ciclo que levou R$ 42,5 bilhões à Bolsa em apenas dois meses e ajudou o Ibovespa a bater recorde, antes de ser interrompido pela guerra no Irã.
Em julho, o saldo voltou a ficar positivo, com entrada de R$ 2,56 bilhões. Mas a partir de maio a direção do fluxo se inverteu de forma mais persistente: R$ 13,28 bilhões saíram da Bolsa naquele mês, seguidos por uma retirada de R$ 7,79 bilhões em junho.
Com o resultado parcial de agosto, 2026 passa a concentrar as duas maiores saídas mensais de capital estrangeiro de toda a série histórica acompanhada pela consultoria — a de agosto e a de maio.
O desempenho do Ibovespa em agosto ajuda a entender a fuga. Levantamento da Elos Ayta com dados até o dia 17 de agosto mostra que a bolsa brasileira acumula queda de 8,54% em dólares no mês — o segundo pior resultado entre 21 bolsas acompanhadas pela consultoria. Apenas o Merval, principal índice da Argentina, recua mais no período: 10,47%.
A perda em dólares supera a queda em reais, de 6,30%, porque o dólar subiu 2,44% frente ao real no período. Para o investidor estrangeiro, isso representa uma dupla penalização: além da desvalorização das ações, a alta do câmbio ampliou as perdas na conversão de volta à moeda de origem.
Na outra ponta do levantamento, os melhores desempenhos de agosto estão na Europa e na Ásia. O Euro Stoxx 50 lidera, com alta de 7,02%, seguido pelo Nikkei 225, que avança 6,77%, e pelo Nasdaq, com ganho de 5,01%. Entre os mercados latino-americanos, Colômbia e Peru registram avanços de 2,68% e 2,65%, respectivamente.
O que entra na conta
O levantamento desconsidera os recursos direcionados a ofertas iniciais de ações (IPOs) e a follow-ons, ofertas subsequentes feitas por empresas que já têm papéis negociados na Bolsa. O número reflete apenas a movimentação de estrangeiros nas negociações do mercado secundário.
Para a Elos Ayta, o dado mais relevante não é apenas o volume, mas a velocidade da saída. Em apenas nove pregões, entre os dias 1º e 13 de agosto, o volume retirado já ultrapassou o total registrado ao longo dos 21 pregões de maio — até então o mês de maior fuga da série.
Como agosto ainda não terminou, a consultoria não arrisca projetar o saldo final do mês. No ritmo observado até agora, porém, o período caminha para se consolidar como a maior retirada mensal de capital estrangeiro da B3 desde o início do levantamento, em janeiro de 2022.