Economia

Guerra no Oriente Médio derruba Ibovespa e ameaça fase de recordes

Após superar os 190 mil pontos pela primeira vez, índice recuou 4,41% com a escalada do conflito entre EUA, Israel e Irã

Depois de acumular R$ 42,56 bilhões em capital estrangeiro nos dois primeiros meses de 2026 e superar pela primeira vez os 190 mil pontos, o Ibovespa sofreu uma virada brusca com a escalada da guerra no Oriente Médio.

Ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, no último sábado, desencadearam o chamado flight to quality: investidores deixaram a bolsa e migraram para dólar e ouro.

Desde o início do conflito, o índice acumula queda de 4,41% e retornou aos 180 mil pontos.

O maior fluxo externo em anos impulsionou a bolsa

O retorno dos investidores estrangeiros ao mercado brasileiro foi um dos principais fenômenos financeiros do início de 2026. Em janeiro, o aporte chegou a R$ 26,4 bilhões — o maior volume mensal desde fevereiro de 2022. Fevereiro contribuiu com R$ 16,9 bilhões, elevando o total a R$ 42,56 bilhões no bimestre, contra R$ 26,87 bilhões no mesmo período de 2025, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta.

O resultado coloca 2026 como o terceiro maior volume de entrada estrangeira para os dois primeiros meses do ano na última década. O recorde ainda pertence a 2022, com R$ 119,7 bilhões captados ao longo do ano inteiro.

Esse fluxo levou o Ibovespa a bater recorde 13 vezes nos dois primeiros meses — oito em janeiro e cinco em fevereiro. Em todo o ano passado, o índice havia acumulado 32 máximas históricas.

Por que o dinheiro voltou ao Brasil

Segundo Flávio Conde, analista da Levante Inside Corp, fatores estruturais ainda favorecem o país: perspectiva de queda dos juros, ações baratas cotadas em dólar e risco crescente nas bolsas americanas, pressionadas pela valorização excessiva do setor de tecnologia.

Especialistas divergem sobre o horizonte da bolsa

Para Conde, eventuais quedas representam oportunidades de compra. Na sua avaliação, o Ibovespa ainda tem potencial para testar os 200 mil pontos no médio prazo, desde que o cenário internacional não se deteriore de forma prolongada.

Já Ângelo Belitardo, gestor da Hike Capital, adota postura mais cautelosa. Para ele, o aumento das tensões geopolíticas tende a pressionar bolsas ao redor do mundo enquanto eleva o preço do petróleo e valoriza ativos de refúgio. Se o movimento global de flight to quality ganhar força, o Brasil — como mercado emergente — pode sofrer saída de recursos no curto prazo.

Especialistas concordam que o ritmo do capital estrangeiro ao longo de 2026 dependerá diretamente da evolução do conflito no Oriente Médio. As perspectivas estruturais para o mercado brasileiro seguem favoráveis, mas o curto prazo exige cautela redobrada dos investidores.

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