O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) deu início à terceira edição da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), levantamento que vai mapear hábitos, doenças crônicas e o acesso da população ao atendimento médico em todo o país.
Cerca de 1.800 entrevistadores percorrem 140 mil domicílios brasileiros para coletar as informações, que vão orientar políticas públicas e investimentos no Sistema Único de Saúde (SUS).
A pesquisa é aplicada por equipes de três profissionais, sempre com pelo menos uma mulher entre os entrevistadores, que usam uniforme e crachá com número de matrícula — dado que pode ser conferido no site do IBGE. O morador também tem o direito de pedir um documento de identificação antes de responder ao questionário.
Exames de sangue e urina como novidade
Pela primeira vez, a PNS inclui uma etapa laboratorial: 20 mil brasileiros com mais de 35 anos serão convidados a fazer exames de sangue e urina. Quem aceitar assina um termo de consentimento e agenda dia e horário para a coleta, feita por um técnico de laboratório na própria casa. As equipes do IBGE acompanham o procedimento antes de enviar as amostras para análise em laboratório.
Além da coleta laboratorial, os entrevistadores também medem altura, peso e pressão arterial dos participantes — dados que ajudam a compor o retrato das condições crônicas de saúde da população brasileira.
O tema ganha peso diante do cenário nacional: pesquisa do Datafolha divulgada em março já apontava a saúde como a maior preocupação dos brasileiros, citada por 21% dos entrevistados como o principal problema do país.
A última edição da Pesquisa Nacional de Saúde foi realizada em 2019, antes da pandemia de Covid-19, o que torna os novos dados especialmente relevantes para entender como a saúde da população mudou nos últimos anos. Os resultados devem subsidiar decisões do Ministério da Saúde sobre prioridades de investimento no SUS.
Para moradores como dona Marli, entrevistada durante a coleta, levantamentos desse tipo ajudam a dar visibilidade às reais necessidades da população nas diferentes regiões do país. A expectativa do IBGE é que o cruzamento entre questionários e exames laboratoriais permita identificar com mais precisão a prevalência de doenças crônicas ainda subdiagnosticadas.