A Vibrio vulnificus, bactéria conhecida como “comedora de carne” por destruir tecidos humanos, voltou a preocupar autoridades de saúde nos Estados Unidos neste verão.
Louisiana registrou nove casos e cinco mortes, a Flórida somou 14 casos e duas mortes, e Maryland já contabilizava 72 casos até o fim de junho.
A bactéria prospera em águas marinhas quentes e se espalha com o aquecimento dos oceanos, atingindo áreas como Nova York, Connecticut e o norte da Europa.
Como a infecção se espalha e ataca o corpo
A Vibrio vulnificus entra no organismo por feridas abertas expostas a água do mar ou água salobra, ou pelo consumo de frutos do mar crus ou malcozidos, especialmente ostras. Uma vez na corrente sanguínea, a bactéria libera toxinas capazes de destruir músculos, nervos e vasos sanguíneos, quadro conhecido como fasciíte necrosante. Sem tratamento, a infecção pode ser fatal em até 48 horas.
Segundo o CDC, os primeiros sinais são febre, vermelhidão, dor intensa e inchaço no local da lesão. A evolução costuma ser rápida, com o surgimento de úlceras, bolhas e alteração na cor da pele. Idosos, pessoas com diabetes, doença hepática, câncer, HIV ou que usam medicamentos imunossupressores correm maior risco de complicações graves.
Resistência a antibióticos preocupa cientistas
O tratamento combina antibióticos administrados diretamente na veia com a remoção cirúrgica do tecido afetado, procedimento que em alguns casos leva à amputação de membros. Pesquisadores alertam que parte das cepas de Vibrio vulnificus já apresenta resistência a determinados antibióticos, o que pode tornar futuros casos mais difíceis de tratar.
No Brasil, o risco associado a frutos do mar crus também já foi flagrado: em 2025, pesquisadores identificaram em ostras vendidas em mercados de São Paulo e Santa Catarina uma superbactéria de prioridade crítica da OMS, invisível aos testes sanitários convencionais — reforço de que o consumo de moluscos crus é um risco crescente e ainda subestimado no país.
Como se proteger da bactéria
O CDC recomenda que pessoas com cortes recentes, tatuagens ou piercings novos evitem entrar em águas onde a Vibrio vulnificus possa estar presente, ou cubram totalmente a ferida com curativo impermeável. Um simples arranhão já é suficiente para a bactéria penetrar sob a pele — um dos casos registrados nos EUA foi associado a pernas recém-depiladas com lâmina.
Feridas abertas também pedem cuidado ao manusear peixes e frutos do mar crus. Cortes ocorridos durante a pesca, o preparo de alimentos ou o banho de mar devem ser lavados imediatamente com água e sabão.
Apesar da letalidade — uma em cada cinco pessoas infectadas morre —, a infecção segue rara: os Estados Unidos registram entre 150 e 200 casos por ano, número próximo ao de ataques de tubarão no país. Mas o aumento da temperatura dos oceanos, combinado a furacões e marés de tempestade mais intensos, amplia o contato de banhistas com águas contaminadas e preocupa autoridades sanitárias na Europa e nos Estados Unidos.