Saúde

IA da USP identifica cáries em radiografias com alta precisão

Sistema criado por pesquisadores de Ribeirão Preto promete agilizar diagnósticos e tratamentos dentários
Campus da USP onde pesquisadores desenvolveram sistema de IA que identifica cáries em radiografias

Pesquisadores da USP em Ribeirão Preto desenvolveram um sistema de inteligência artificial capaz de identificar dentes e detectar cáries em radiografias odontológicas com alta precisão.

O estudo foi publicado na revista científica PLOS Digital Health por pesquisadores da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCLRP) e da Faculdade de Odontologia (Forp), ambas da universidade em Ribeirão Preto.

O sistema integra o grupo de pesquisa InReDD, que reúne cerca de 30 pesquisadores das áreas de computação e odontologia da USP.

Como funciona a tecnologia

A ferramenta tem como base as Redes Neurais Convolucionais (CNNs), tipo de inteligência artificial especializado no processamento de imagens. Segundo a professora Alessandra Alaniz Macedo, coordenadora do projeto pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCLRP), essa arquitetura foi criada especificamente para lidar com imagens como as radiografias odontológicas.

O sistema passa por um processo de aprendizado supervisionado: pesquisadores alimentam o programa com milhares de radiografias já analisadas por especialistas, formando uma base de referência usada para ensinar o modelo a reconhecer os padrões de uma cárie. “O modelo compara continuamente aquilo que está produzindo com a base de verdade e vai corrigindo seus próprios erros durante o treinamento”, explicam os pesquisadores do InReDD.

A análise de imagens médicas por inteligência artificial já avança em outras especialidades — pesquisadores mostraram, por exemplo, que a IA consegue identificar risco cardíaco em mamografias de rotina, seguindo o mesmo princípio de extrair diagnósticos precisos de exames de imagem que o InReDD agora aplica à odontologia.

Segunda opinião no consultório

Na prática clínica, uma das aplicações mais promissoras é atuar como uma espécie de segunda opinião durante a avaliação das radiografias, apoiando tanto o diagnóstico quanto o planejamento de tratamentos. A tecnologia também pode automatizar tarefas administrativas, auxiliar no agendamento de consultas e responder dúvidas simples de pacientes.

Apesar dos avanços, a equipe reforça que os modelos atuais ainda funcionam como uma “caixa-preta”: produzem respostas precisas, mas nem sempre é possível entender como chegaram a determinada conclusão. “A responsabilidade pelo diagnóstico sempre será do profissional. Nenhum modelo é perfeito e sabe-se que eles sempre irão errar, mesmo que pouco”, afirma a professora Camila Tirapelli, da Faculdade de Odontologia (Forp).

Ineditismo nacional e apoio à pesquisa

Além do uso em consultórios, a ferramenta deve acelerar pesquisas em saúde bucal, permitindo analisar grandes volumes de radiografias em menos tempo e identificar padrões populacionais úteis a estudos epidemiológicos. “Até onde sabemos, trata-se de um pioneirismo brasileiro por integrar diversas funcionalidades que normalmente aparecem em produtos separados”, afirma Alessandra.

O projeto é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e envolve cerca de 30 integrantes entre alunos de graduação, mestrado, doutorado e docentes das duas faculdades. O sistema já gerou artigos científicos, dissertações e teses, além de um produto tecnológico com código registrado pela USP.

O papel da inteligência artificial como apoio — e não substituta — ao profissional de saúde também aparece em outras áreas da medicina: um modelo desenvolvido em Cambridge para prever o risco de Alzheimer se mostrou três vezes mais preciso que métodos tradicionais, mas manteve a decisão clínica nas mãos do médico.

Segundo os pesquisadores do InReDD, a tecnologia ainda passa por estudos de aperfeiçoamento antes de uma adoção mais ampla na prática clínica, mas a expectativa é que se torne cada vez mais presente na rotina dos consultórios como suporte ao trabalho do dentista.

A Redação Tropiquim é responsável pela curadoria e edição do conteúdo do portal, sob direção editorial de Giulia Gigli. Reunimos o que importa no noticiário brasileiro e entregamos com clareza, contexto e um olhar que acredita no Brasil — sempre com curadoria e supervisão editorial humana. Cada publicação passa por critérios de relevância, precisão e atribuição de fontes.
Escrito com o apoio da inteligência artificial
Este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Inteligência artificial identifica risco de Alzheimer e orienta tratamento precoce

Esteira com IA detecta Alzheimer e Parkinson antes dos primeiros sintomas

IA para restaurantes reduz desperdício e pode poupar até R$ 20 mil

IA detecta risco cardíaco em mulheres por meio de mamografias

Microsoft apresenta IA que supera médicos em diagnósticos complexos

Sensor externo guia tratamento em UTIs e dispensa cirurgia cerebral