O escritor e psiquiatra Augusto Cury registrou candidatura à Presidência da República no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta quinta-feira (13), declarando patrimônio de R$ 242 milhões — sua primeira disputa eleitoral.
Ele concorre pelo Avante ao lado do ex-deputado federal Júlio Delgado, vice na chapa sem coligações, batizada de “puro-sangue”.
Como é composto o patrimônio declarado
Metade do valor — R$ 121 milhões — corresponde a um empréstimo que, segundo a própria declaração de Cury, foi concedido por ele à empresa Filadélfia Nature Participações. Outros R$ 54 milhões estão em participações societárias e cerca de R$ 33 milhões em ações.
Nascido em Colina (SP), Cury é autor de best-sellers de autoajuda com obras publicadas em dezenas de países. Antes de fechar com o Avante, chegou a negociar uma chapa com Romeu Zema (Novo), mas as conversas não avançaram: na convenção de 3 de agosto que o oficializou candidato, a aliança já era tratada como praticamente descartada.
Vice com passagem por CPI e processo de cassação
Júlio Delgado, de 59 anos, natural de Juiz de Fora (MG), foi anunciado como vice em 5 de agosto por meio de uma “Carta à Nação” divulgada por Cury. Filho do ex-prefeito de Juiz de Fora Tarcísio Delgado, ele exerceu seis mandatos como deputado federal (1999-2000 e 2003-2023), presidiu a CPI da tragédia de Brumadinho e foi relator do processo que resultou na cassação do então deputado José Dirceu (PT).
Propostas incluem fim do presidencialismo
Entre as propostas de governo, Cury defende a substituição do presidencialismo por um sistema semipresidencialista, com a criação da figura de um primeiro-ministro. Ele também propõe o fim dos mandatos vitalícios no Supremo Tribunal Federal, com limite de oito anos, e a transformação do Ministério das Relações Exteriores em uma “secretaria de Estado”, nos moldes dos Estados Unidos.
O patrimônio declarado por Cury supera o de Romeu Zema — com quem chegou a negociar uma chapa —, que informou ao TSE R$ 178,7 milhões cinco dias antes. Já Delgado, que também concorreu à prefeitura de Juiz de Fora em 2024 pelo MDB, declarou neste ano R$ 3,5 milhões em bens à Justiça Eleitoral.