O partido Avante anunciou neste domingo (5) a pré-candidatura do escritor e médico Augusto Cury à Presidência da República nas eleições de outubro de 2026.
A sigla afirma que a candidatura pretende pautar o equilíbrio emocional, a educação e a gestão humanizada do país — e define o movimento como um “novo momento” para o partido.
Com a entrada do autor, são agora sete os nomes que disputam o Palácio do Planalto, num campo que vai do atual presidente Lula a figuras da direita, oposição e veteranos da política.
Quem é Augusto Cury
Nascido em Colina (SP) em 1958, Cury é médico formado pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto e doutor em Psicologia Multifocal pela Florida Christian University. Pós-graduado pela PUC-SP, dedicou décadas à pesquisa sobre as dinâmicas da emoção humana e atua como conferencista em congressos nacionais e internacionais.
No campo literário, foi apontado pelo jornal Folha de S. Paulo e pela revista IstoÉ como o autor mais lido do Brasil na última década. Seu livro O Vendedor de Sonhos rendeu o prêmio de melhor ficção de 2009 da Academia Chinesa de Literatura e foi adaptado para o cinema em 2016, com direção de Jayme Monjardim.
Campo presidencial em expansão
Cury se junta a um grupo que se adensou rapidamente nas últimas semanas. Caiado confirmou sua candidatura pelo PSD em 30 de março, após superar a disputa interna com Eduardo Leite e Ratinho Júnior. O governador de Goiás se apresenta como alternativa à polarização PT-PL, mas defende anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro e aos condenados pela tentativa de golpe de 2022.
Romeu Zema renunciou ao mandato no governo de Minas Gerais para se dedicar à disputa pelo Novo. Renan Santos, fundador do MBL, concorre pelo Missão — o partido mais recente no registro do TSE, criado em novembro de 2025. Aldo Rebelo, ex-deputado e ministro de Lula e Dilma Rousseff, é o pré-candidato do Democracia Cristã.
O registro oficial no Tribunal Superior Eleitoral está previsto para agosto, quando começa formalmente a campanha. Até lá, cada nome precisa ser homologado em convenção pelo seu partido.
A pesquisa Quaest de março já apontava o duopólio Lula–Flávio dominando todos os cenários de segundo turno — exatamente o quadro de alta polarização que o Avante invoca para justificar o lançamento de Cury como alternativa ao centro.
Nas medições mais recentes, Lula lidera o primeiro turno e empata com Flávio Bolsonaro no segundo. Caiado registra 4% das intenções de voto; Zema aparece com 2% a 3%; Renan Santos e Aldo Rebelo ficam entre 1% e 2% cada. Cury ainda não foi incluído nas pesquisas.
Lula tenta um quarto mandato — feito inédito na história do país — e completará 81 anos em outubro, tornando-se o candidato mais velho a disputar uma eleição presidencial no Brasil. Em 2022, após vencer Jair Bolsonaro, o petista disse que não tentaria nova eleição, mas foi alterando o discurso ao longo de 2025, sinalizando a candidatura em outubro daquele ano.
Flávio Bolsonaro foi escolhido pelo pai em dezembro para ser o representante da família na disputa — decisão que frustrou as expectativas de Tarcísio de Freitas (Republicanos). O senador consolida-se como principal nome da oposição nas pesquisas e defende anistia ao ex-presidente, atualmente preso, e aos demais condenados pela tentativa de golpe após 2022.