O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) anunciou nesta quinta-feira (13) que o emprego formal abriu 2,2 milhões de vagas na parcial do primeiro semestre de 2026, alta de 3,6% frente ao fechamento de 2025.
Os dados fazem parte da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e foram apresentados no Ministério do Trabalho ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), acompanhado dos ministros Luiz Marinho, Wolney Queiroz e Dario Durigan.
Serviços puxam empregos, mas desigualdade persiste
O setor de serviços segue como o maior empregador do país e também o que paga o maior salário médio, de R$ 4.999. Na sequência aparecem comércio, indústria, construção e agropecuária, segundo o levantamento do MTE.
Os jovens de até 24 anos ampliaram a participação no mercado formal: eram 12,7% dos vínculos em dezembro de 2025 e passaram a 13,8% em junho de 2026, aponta a RAIS.
A desigualdade salarial, no entanto, continua expressiva. Mulheres recebem, em média, 87,9% do salário dos homens, enquanto trabalhadores pardos e pretos ganham cerca de 68% da remuneração paga a trabalhadores brancos.
Levantamento divulgado nesta sexta-feira (14) pelo IBGE aprofunda o diagnóstico. A Pnad Contínua Trimestral apontou taxa de desocupação de 5,4% no segundo trimestre de 2026, com queda registrada em 13 estados. As reduções mais expressivas ocorreram no Rio Grande do Norte (-1,9 ponto percentual), na Paraíba (-1,6 p.p.) e no Acre (-1,6 p.p.). As maiores taxas ficaram no Amapá (9,8%), Bahia (9,1%) e Pernambuco (8,3%); as menores, em Santa Catarina (2,1%) e Mato Grosso (2,2%).
A desigualdade no desemprego segue o mesmo padrão dos salários. A taxa de desocupação foi de 6,4% entre as mulheres ante 4,6% entre os homens. Por cor ou raça, ficou em 4,2% entre brancos, 6,1% entre pardos e 6,9% entre pretos.
Jornada de trabalho reacende debate sobre a escala 6×1
A RAIS Mensal mostra que 70% dos vínculos com jornada informada têm contratos de 41 a 44 horas semanais — o equivalente a 35,7 milhões de vínculos. O recorte não identifica quantos trabalhadores estão especificamente na escala 6×1, mas evidencia o peso das jornadas mais longas no mercado formal.
Durante a apresentação dos números, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, voltou a defender o fim da escala 6×1 e cobrou do Senado a votação da proposta que trata do tema.
O resultado do semestre dá continuidade a uma trajetória que já vinha sendo puxada por dados do Caged. Em março, o país havia registrado a abertura de 228 mil vagas formais, quase o triplo do mesmo mês de 2025 e o segundo melhor resultado histórico para o período.
Levantamento anterior da própria RAIS já havia mostrado que o setor público, e não o privado, foi o principal motor de geração de empregos nos 14 meses encerrados em fevereiro de 2026, com 1,09 milhão de vagas líquidas abertas no período.
A apresentação dos dados no Ministério do Trabalho contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao lado dos ministros Wolney Queiroz (Previdência Social) e Dario Durigan (Fazenda), reforçando o peso político do anúncio em meio ao embate no Congresso sobre a regulamentação da jornada de trabalho.