O serviço público brasileiro criou mais empregos formais do que o setor privado nos 14 meses encerrados em fevereiro de 2026, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (24) pelo Ministério do Trabalho e do Emprego.
Ao todo, foram abertas 1,09 milhão de vagas líquidas no setor público no período — resultado que considera contratações menos demissões. Os números são da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), que inclui servidores federais, estaduais e municipais, além de trabalhadores temporários.
Contratos temporários puxam o resultado
Do total de vagas criadas, 886 mil são contratos por tempo determinado, segundo o Ministério do Trabalho. Esse tipo de vínculo ganhou força após a reforma trabalhista de 2017, sancionada no governo Michel Temer.
Paula Montagner, subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho, afirmou que a reforma foi o marco a partir do qual os contratos temporários se tornaram mais comuns também no setor público.
Rafael Coletto Cardoso, coordenador-geral de Estudos e Estatísticas do Trabalho, apontou outro fator: a sazonalidade. Governos municipais e estaduais tendem a contratar professores no início do ano com vínculo até o final do período letivo, o que pode ter inflado os números no recorte analisado.
RAIS vai além do Caged
A diferença metodológica entre as duas fontes é central para interpretar os dados. Enquanto o Caged registra apenas admissões e demissões mensais de trabalhadores celetistas, a RAIS também capta servidores públicos de todas as esferas governamentais, ampliando o retrato do mercado formal de trabalho no Brasil.
O desempenho do setor público contrasta com o ritmo mais contido do setor privado. Para entender esse quadro, vale lembrar que o setor privado gerou apenas 85 mil vagas formais em abril, segundo o Caged — reforçando o protagonismo público na geração de empregos nos últimos meses.
A concentração de contratos temporários — que respondem por mais de 80% das vagas abertas no setor público no período — coloca em perspectiva o alcance do crescimento. Vínculos por tempo determinado têm prazo definido e não garantem postos permanentes de trabalho.
A sazonalidade destacada pelos técnicos do Ministério também sugere que parte das contratações — especialmente na educação estadual e municipal — pode refletir uma reposição cíclica de quadros no início do ano letivo, e não necessariamente uma expansão estrutural do funcionalismo público.
