A balança comercial brasileira fechou julho com superávit de US$ 7,1 bilhões, informou nesta quinta-feira (6) o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
O resultado é 1% maior que o registrado no mesmo mês de 2025, quando o saldo positivo somou US$ 7 bilhões. No mesmo levantamento, o governo confirmou queda nas exportações brasileiras para os Estados Unidos.
Recuo nas vendas aos Estados Unidos
As exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 3,6 bilhões no período avaliado pelo MDIC, queda de 5% frente aos US$ 3,8 bilhões do mesmo intervalo do ano passado. O tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump vem pressionando o comércio bilateral, e a queda ocorre em um cenário no qual as tarifas americanas já atingem 47,3% das exportações do Brasil, segundo estimativas do próprio governo.
Entre os produtos que mais se destacaram nas exportações de julho estão itens do agronegócio e commodities, que seguem como pilares da pauta exportadora do país, além de vendas direcionadas a outros blocos e regiões parceiras do Brasil.
Saldo acumulado supera US$ 49 bilhões
No acumulado de 2026, a balança comercial já soma superávit de US$ 49 bilhões entre janeiro e julho, alta de 31,9% em relação aos US$ 37,2 bilhões apurados no mesmo intervalo de 2025.
As exportações somaram US$ 218,6 bilhões nos sete primeiros meses do ano, avanço de 10,5% pela média diária. Já as importações totalizaram US$ 169,5 bilhões no período, com alta de 5,5%, também pela média diária.
Paradoxo no comércio com Washington
O recuo nas vendas ao mercado americano expõe um paradoxo já conhecido na relação comercial entre os dois países: o Brasil segue sendo fonte de superávit para os Estados Unidos, mesmo enfrentando sobretaxas impostas por Washington. Ainda assim, o desempenho das exportações aos EUA contrasta com o resultado positivo da balança comercial como um todo, puxado por outros parceiros comerciais.
A diversificação de destinos, incluindo mercados como a China, tem ajudado o Brasil a sustentar o crescimento das exportações mesmo diante das barreiras tarifárias americanas. Para o governo, os números de julho reforçam a resiliência do setor exportador brasileiro em um ano marcado por tensões comerciais globais.