O Brasil fechou maio de 2026 com déficit comercial com os Estados Unidos, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (3) pelo Ministério do Desenvolvimento (MDIC).
As exportações ao país recuaram 14% no mês e acumulam queda de 16% nos primeiros cinco meses do ano — US$ 2,7 bilhões a menos do que no mesmo período de 2025. No total, foram US$ 14 bilhões vendidos ao mercado americano de janeiro a maio.
Apesar do revés bilateral, a balança comercial global registrou superávit de US$ 7,82 bilhões no mês, sustentado por soja, petróleo e minérios.
Déficit com EUA em cenário de tarifas crescentes
O déficit registrado em maio significa que o Brasil importou mais dos Estados Unidos do que exportou ao país — resultado desfavorável no âmbito bilateral. A queda acumulada de 16% no ano aponta para uma tendência que se aprofunda ao longo de 2026.
O mais preocupante é que os dados ainda não refletem o impacto das novas sobretaxas anunciadas por Washington. A tarifa de 25% anunciada na segunda-feira (1º) ainda não estava em vigor em maio — mas já provocou reação imediata nos mercados cambiais logo após o anúncio pelo governo Trump.
Há ainda uma segunda camada de pressão: a sobretaxa adicional de 12,5% por trabalho forçado — que pode elevar o total das tarifas americanas sobre o Brasil a 37,5% — foi proposta pelo USTR em relatório que cita o país 19 vezes e coloca pecuaristas diretamente na mira de Washington.
As duas cobranças juntas alcançariam 37,5% sobre mercadorias brasileiras — sob alegação de que o governo adota práticas que “oneram ou restringem” o comércio com os norte-americanos e de que o Brasil teria falhado em coibir importações produzidas com trabalho forçado.
Superávit global sobe 34% no acumulado do ano
Apesar do déficit com Washington, o desempenho geral do comércio exterior brasileiro segue sólido. O saldo de US$ 7,82 bilhões em maio ficou abaixo do superávit recorde de US$ 10,5 bilhões registrado em abril — o maior já medido para aquele mês —, em parte reflexo da queda nas vendas ao mercado americano.
No acumulado de janeiro a maio, o superávit chegou a US$ 32,66 bilhões — alta de 34,2% sobre os US$ 24,33 bilhões registrados no mesmo intervalo de 2025.
Soja, petróleo e minérios continuam liderando a pauta exportadora. Os principais compradores do Brasil seguem sendo China e União Europeia, com os Estados Unidos na terceira posição — um posto que tende a encolher ainda mais quando as novas tarifas de Trump entrarem em vigor nos próximos meses.
