Economia

Produção de carne bovina do Brasil deve cair em 2026

Abiec aponta guerras comerciais, tarifas e barreiras como principais riscos para o setor este ano
Corte de carne bovina com bandeiras do Brasil e União Europeia ao fundo, ameaças à produção de carne bovina 2026

A produção de carne bovina no Brasil deve cair em 2026, somando cerca de 40 milhões de cabeças de gado abatidas — abaixo das 42 milhões registradas em 2025, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).

O presidente da entidade, Roberto Perosa, apresentou a projeção nesta quarta-feira (5), durante evento do setor em São Paulo, apontando guerras comerciais, tarifas e barreiras como principais entraves à cadeia produtiva neste ano.

Cota chinesa e barreiras europeias pressionam o setor

A dependência do mercado chinês já preocupava a cadeia produtiva mesmo em meio a um desempenho recorde de exportações: os embarques para a China foram interrompidos em julho, quando o Brasil esgotou a cota anual de importação do país, que chegou a responder por 48,5% das receitas totais com carne bovina brasileira no primeiro semestre de 2026.

Ao mesmo tempo, a Abiec cita incertezas sobre as vendas à União Europeia, ligadas a restrições a determinadas substâncias antimicrobianas usadas em animais produtores de alimentos. O embargo europeu, que entra em vigor em 3 de setembro, pode custar ao setor mais de US$ 500 milhões em exportações de carne bovina só até o fim do ano, com risco de superar US$ 1 bilhão caso a restrição se estenda por 2027.

Perosa também mencionou o cenário mais amplo de guerras comerciais e tarifas, que segundo ele tem elevado a imprevisibilidade para exportadores brasileiros em diferentes mercados.

Retorno ao mercado europeu deve levar dois anos

O prazo para reconquistar o mercado europeu não é curto: segundo o setor produtivo, o retorno da carne bovina brasileira ao bloco deve levar cerca de dois anos, tempo necessário para que os rebanhos se adequem aos novos protocolos sobre antimicrobianos.

A Abiec reforça que o cenário de 2026 combina fatores externos — tarifas, barreiras sanitárias e disputas comerciais — com uma retração direta na atividade produtiva, refletida na expectativa de abate de cerca de 40 milhões de cabeças de gado, dois milhões a menos que em 2025.

A entidade destacou que as informações ainda estão em atualização, com base em dados preliminares apresentados durante o evento em São Paulo. As declarações de Perosa foram divulgadas com informações da Reuters.

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