Política

Republicanos declara neutralidade e frustra aliança de Flávio Bolsonaro

Decisão foi construída após consulta aos diretórios estaduais e chega às vésperas do prazo final para registro de chapas.
Flávio Bolsonaro frustrado com a neutralidade do Republicanos na eleição presidencial

O Republicanos anunciou nesta terça-feira (4) que vai adotar neutralidade na eleição presidencial de 2026, após consulta às executivas estaduais do partido em todo o país.

A decisão foi formalizada em convenção nacional em Brasília e avisada horas antes ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, sigla que tentava reforçar a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Planalto.

Como o Republicanos chegou à decisão

Segundo o presidente nacional da legenda, deputado Marcos Pereira (SP), a maioria dos diretórios estaduais se posicionou a favor da independência na corrida presidencial. O entendimento foi levado à campanha de Flávio Bolsonaro antes do anúncio oficial — já na semana da convenção do PL, o Republicanos sinalizava preferência pela neutralidade, indício que agora se confirma e fecha mais uma porta para a candidatura.

Em nota, o partido afirmou que a deliberação foi construída de forma coletiva e levou em conta o crescimento da legenda nos estados, além de alianças regionais formadas ao longo dos últimos anos. A posição repete o movimento da federação União Brasil-Progressistas, que já havia optado pela mesma neutralidade.

Prazo aperta para o PL

Desde a convenção que oficializou Flávio Bolsonaro como candidato, em 25 de julho, o Republicanos era visto como peça-chave para ampliar o arco de alianças do PL. O impasse ganha urgência porque o prazo para registro das chapas termina nesta quarta-feira (5) e a campanha ainda não definiu o nome do vice.

Divisão interna e apoio caso a caso

Apesar da posição nacional de neutralidade, diretórios estaduais e lideranças regionais do Republicanos podem construir arranjos próprios. Em São Paulo, por exemplo, dirigentes da legenda já manifestaram apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro, mesmo sem uma aliança nacional formal entre os partidos.

A discussão interna expôs divergências: lideranças do Sul e do Sudeste defendiam aproximação com o PL, enquanto o Nordeste e nomes influentes do partido — como o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho — trabalhavam pela manutenção da independência, para preservar alianças estaduais já consolidadas.

O recuo do Republicanos se soma a outro movimento: o governo Lula atuou nos bastidores para garantir que a federação União Progressista também declarasse neutralidade, estratégia que ajudou a isolar o arco de aliados que o PL tentava ampliar.

Prioridade no Congresso

Na nota, o Republicanos reafirmou compromisso com bandeiras como responsabilidade fiscal, fortalecimento das instituições e desenvolvimento econômico, e destacou que a prioridade agora é ampliar a bancada na Câmara e no Senado.

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