Lula indicou o servidor de carreira Antonio Carlos Berwanger para a última vaga na diretoria da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O nome foi enviado ao Senado nesta terça-feira (4) e ainda depende de aprovação da Comissão de Assuntos Econômicos e do plenário.
A escolha ocorre meses depois de Otto Lobo assumir a presidência da autarquia sob questionamentos por uma decisão sobre a Ambipar e fundos ligados ao Banco Master, que dividiu a CVM e beneficiou o banco, segundo críticos.
Berwanger é servidor da CVM desde 2005 e ocupa hoje a superintendência de Desenvolvimento de Mercado, área responsável por normas sobre companhias abertas, fundos de investimento e ofertas públicas. A indicação preenche formalmente a vaga deixada por Otto Lobo, cujo mandato como diretor terminou em dezembro de 2025.
A polêmica que marcou a gestão de Otto Lobo
Antes de assumir a presidência da CVM, em junho, Otto comandou a autarquia interinamente e votou contra a exigência de oferta pública de aquisição (OPA) a acionistas minoritários da Ambipar, em julgamento sobre a atuação conjunta de fundos ligados ao Banco Master com o controlador da empresa. Com o resultado empatado, ele usou o voto de qualidade para definir a decisão a favor dos fundos.
A Procuradoria Federal Especializada junto à CVM chegou a questionar o procedimento e apontou fragilidades na decisão. Na sabatina do Senado para a presidência, Otto negou ter favorecido o Banco Master, e sua indicação foi aprovada mesmo com as críticas.
Já como presidente, ele promoveu uma ampla reformulação no primeiro escalão da CVM, substituindo os titulares de seis superintendências e o superintendente-geral. Os servidores atingidos permaneceram no quadro da autarquia, mas deixaram os cargos de confiança.
Quem é o novo indicado
Formado em Economia pela UFRJ e em Direito pela Universidade Cândido Mendes, Berwanger é mestre em Direito da Regulação pela Fundação Getulio Vargas e tem especialização em regulação de fintechs pela Cambridge Judge Business School. Na CVM, atuou como inspetor, na fiscalização e em processos sancionadores antes de assumir a superintendência de Desenvolvimento de Mercado, em março de 2015.
Internamente, é visto como um dos principais especialistas da autarquia em ativos digitais. Em maio, esteve entre 27 integrantes da cúpula da CVM que assinaram manifestação defendendo a escolha de um servidor de carreira para a vaga do colegiado, argumento que a presença de um funcionário da casa ajudaria a preservar a memória regulatória e a estabilidade das decisões da instituição.
Se aprovado pelo Senado, Berwanger completará o colegiado de cinco integrantes da CVM, ao lado de Otto Lobo e do advogado Igor Muniz, que assumiu uma das diretorias em junho.