Economia

Senado sabatina indicado polêmico para presidência da CVM nesta quarta

Mercado financeiro rejeita Otto Lobo por decisões que beneficiaram o Banco Master em gestão interina
Senado Federal em sessão com marca do Banco Master em primeiro plano sugerindo polêmica na sabatina Otto Lobo CVM

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado analisa nesta quarta-feira (20) a sabatina de Otto Lobo, indicado pelo Palácio do Planalto para presidir a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda que regula fundos de investimento e o mercado de capitais.

Lobo ocupa interinamente a presidência da CVM desde julho de 2025, quando João Pedro Nascimento deixou o cargo. Se aprovado pelo plenário do Senado, cumprirá um mandato tampão até julho de 2027 — período restante da gestão anterior.

Parecer favorável, mas resistência no mercado

O relator da indicação, senador Eduardo Braga (MDB-AM), publicou parecer favorável na segunda-feira (18), após conversar com o presidente Lula para confirmar o nome. O documento reproduz o aval do Ministério da Fazenda quanto à idoneidade e ao perfil profissional de Lobo para o cargo.

Apesar do endosso governista, o nome foi mal recebido no mercado financeiro. A rejeição tem raízes em decisões tomadas por Lobo durante a presidência interina da CVM, que beneficiaram diretamente o Banco Master.

O caso Ambipar e o TCU

A decisão mais questionada envolve a Ambipar, empresa de gestão de resíduos com histórico de transações com o Master. O voto de qualidade de Lobo dispensou a companhia de realizar uma oferta pública de aquisição (OPA), contrariando a área técnica da própria CVM, que apontou ação orquestrada entre os empresários Nelson Tanure e Tércio Bolenghi e o Banco Master para inflar artificialmente o preço das ações da empresa.

O Ministério Público chegou a pedir ao Tribunal de Contas da União (TCU) a suspensão da sabatina de Lobo no Senado. O processo foi arquivado pela corte de contas. Em outubro de 2025, dias antes da liquidação do Banco Master, a Ambipar teve sua recuperação judicial aprovada.

Além de Lobo, o colegiado delibera a indicação de Igor Muniz para uma das diretorias da autarquia. A expectativa é que ambos os nomes sejam votados também no plenário do Senado ainda nesta quarta.

CVM opera com três vagas em aberto

A aprovação das indicações é urgente para o funcionamento da autarquia. A diretoria da CVM é composta por cinco membros com mandatos de cinco anos, mas atualmente apenas duas cadeiras estão ocupadas — deixando o órgão com três vagas no colegiado. Ainda assim, o Executivo encaminhou ao Senado somente os nomes de Lobo e Muniz, sem preencher as demais vacâncias.

A sabatina de Lobo ocorre um dia depois de Gabriel Galípolo ser convocado pela mesma CAE para responder pela liquidação do Banco Master — exatamente o banco cujas ações foram beneficiadas por decisões de Lobo quando ele presidia interinamente a CVM. Entenda por que Galípolo foi convocado ao Senado para responder pelo caso Master.

O escândalo do Master segue dominando o Congresso em múltiplas frentes: enquanto senadores debatem a criação de uma CPMI para investigar Daniel Vorcaro, o mesmo Senado avalia colocar na presidência da CVM um nome cuja atuação beneficiou a instituição do banqueiro preso. Veja como o escândalo do Master continua travando o Congresso Nacional.

A Redação Tropiquim é responsável pela curadoria e edição do conteúdo do portal, sob direção editorial de Giulia Gigli. Reunimos o que importa no noticiário brasileiro e entregamos com clareza, contexto e um olhar que acredita no Brasil — sempre com curadoria e supervisão editorial humana. Cada publicação passa por critérios de relevância, precisão e atribuição de fontes.
Escrito com o apoio da inteligência artificial
Este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

CAE aprova Otto Lobo para presidir a CVM por 19 votos a 5

Governo nomeia Otto Lobo para presidir a CVM em meio ao caso Master

Lula escolhe servidor de carreira para completar diretoria da CVM

João Pedro Nascimento deixa presidência da CVM alegando motivos pessoais

Senado aprova controle semestral sobre a CVM após escândalo do Banco Master

Galípolo vai ao Senado responder por liquidação do Banco Master