As Guardas Civis Municipais (GCMs) cresceram 13% em dois anos e somam agora 107 mil agentes em todo o Brasil, segundo o estudo Raio-X das Forças de Segurança, divulgado nesta terça-feira (4) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Com o avanço, a corporação municipal ultrapassou a Polícia Civil e os bombeiros e se tornou a segunda maior força de segurança pública do país, atrás apenas da Polícia Militar, que soma 413 mil integrantes.
Segunda maior força de segurança do país
O levantamento usa dados do IBGE e dos ministérios da Justiça e Segurança Pública e do Trabalho e Emprego para comparar as corporações. Atrás da Polícia Militar e das guardas municipais, aparecem a Polícia Civil (97 mil agentes), a polícia penal (92 mil), os bombeiros (63 mil) e a perícia técnica (19 mil). Ao todo, o Brasil tem 818 mil profissionais de segurança pública.
As GCMs já estão presentes em 1.384 municípios — quase 200 a mais que os 1.188 registrados pelo IBGE em 2019. São Paulo concentra o maior efetivo, com 30 mil guardas distribuídos por 222 cidades, enquanto a Bahia lidera em número de municípios atendidos, com 234. O Acre é o único estado sem nenhuma guarda civil, e o Distrito Federal dispensa a corporação por manter Polícia Militar própria.
Estados como Rondônia, Roraima e Amapá têm as menores estruturas: apenas duas, seis e seis cidades com guardas, respectivamente, somando poucas centenas de agentes cada.
Falta de controle preocupa especialistas
Para o diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Renato Sérgio de Lima, o crescimento acelerado das guardas municipais ocorre sem fiscalização adequada. Segundo ele, a legislação que rege a corporação tem lacunas e nem sempre é cumprida pelos municípios.
“Tem um deslocamento do papel das guardas, um crescimento do protagonismo, só que ninguém controla (…) Com as guardas municipais, não está muito claro isso”, afirma Lima, ao comparar a situação com a Polícia Militar, que responde ao Exército, ao Ministério Público e ao Poder Executivo.
O especialista cita ainda tentativas — barradas pelo STF — de rebatizar guardas como “polícias municipais”, e alerta para os riscos de uma eventual PEC da segurança, que pode ampliar o papel das GCMs sem definir critérios claros sobre efetivo e uso de armas. “É ruim quando você não sabe direito quantas guardas são e quantas estão armadas ou não”, diz.
A preocupação com a ausência de controle ganha outro contorno diante de outro dado do mesmo estudo: as forças de segurança do país foram responsáveis por 6.602 mortes em 2025, o maior número desde 2016.