Empresas estatais da China compraram entre 14 e 16 carregamentos de soja dos Estados Unidos na última sexta-feira (31), somando cerca de 1 milhão de toneladas da commodity, com embarques programados para outubro.
A operação, feita principalmente pela estatal Sinograin, ocorreu após a queda dos preços do grão em Chicago e às vésperas da visita do presidente chinês Xi Jinping aos EUA, prevista para 24 de setembro segundo Donald Trump.
Prêmio acima do mercado e meta de 25 milhões de toneladas
Segundo fontes ouvidas pela agência Reuters, as estatais chinesas pagaram um prêmio de US$ 3,03 por bushel acima do contrato de novembro da Bolsa de Chicago para cargas embarcadas pelo Golfo dos EUA, e de US$ 3 por bushel para embarques pelo Noroeste do Pacífico. O contrato de soja mais negociado recuou 5,2% na semana passada, o que ajudou a viabilizar o negócio.
A compra ainda está longe da meta anunciada em outubro passado pela Casa Branca, quando a China teria concordado em importar 25 milhões de toneladas de soja americana por ano até 2028. Até a última sexta-feira, o país havia adquirido pouco mais de 4 milhões de toneladas em 2026 — um volume que contrasta com o recorde de compras de soja brasileira registrado em junho, quando os embarques dos EUA caíram 20,6%. Procuradas, Sinograin e Cofco não confirmaram as aquisições nem comentaram o assunto.
Na mesma sexta-feira, a Sinograin vendeu metade das 504 mil toneladas de soja importada que havia colocado em leilão, movimento que, segundo o mercado, abre espaço nos estoques para receber a nova carga americana.
Tarifas chinesas e disputa com o Brasil
O mercado agora observa se a China vai retirar as tarifas aplicadas à soja dos Estados Unidos. Uma eventual remoção permitiria que processadoras privadas chinesas, mais sensíveis a preço, também ampliassem as compras do grão americano — hoje concentradas em estatais.
Ainda é incerto, porém, se a soja dos EUA terá preço competitivo o suficiente diante da brasileira, que atualmente lidera o abastecimento do mercado chinês. A disputa ganha peso num momento em que o Brasil está a apenas US$ 2 bilhões de ultrapassar os EUA como maior exportador agrícola do mundo, segundo o Financial Times. Qualquer reação diplomática entre Pequim e Washington tende a repercutir diretamente sobre os embarques brasileiros nos próximos meses.