A China sinalizou que só retomará as compras de soja dos Estados Unidos caso as tarifas consideradas irracionais sejam removidas. A declaração foi feita durante coletiva de imprensa nesta quinta-feira (25), em meio a tensões comerciais entre os dois países.
O país asiático, maior importador global de soja, ainda não reservou cargas da safra americana de outono, optando pelo fornecimento da América do Sul. Agricultores dos EUA temem prejuízos bilionários devido ao impasse.
Negociações comerciais e impacto das tarifas
As negociações entre China e Estados Unidos têm sido marcadas por disputas tarifárias, especialmente no setor do agronegócio. A imposição de tarifas pela China sobre a soja americana dificultou a retomada das compras em volumes significativos, afetando produtores e exportadores dos EUA.
Autoridades chinesas afirmam que a normalização das compras depende da retirada dessas tarifas, consideradas injustificadas e prejudiciais ao comércio bilateral. O porta-voz do Ministério do Comércio chinês, He Yadong, declarou que os EUA precisam remover as “tarifas irracionais” e criar condições para expandir o comércio bilateral.
Segundo a Reuters, a China ainda não reservou nenhuma carga de soja dos EUA da safra de outono, preferindo importar da América do Sul. O impasse pode causar perdas de bilhões de dólares aos agricultores americanos.
Encontros e sinalizações recentes
Na segunda-feira, o negociador sênior de comércio da China, Li Chenggang, reuniu-se com líderes políticos e empresariais do Meio-Oeste dos EUA, principal região produtora de soja. O encontro sinaliza uma possível retomada das compras antes de negociações mais amplas, mas divergências técnicas ainda dificultam um acordo.
Consequências para produtores e repercussão
A suspensão das compras chinesas de soja americana resultou em perdas expressivas para produtores dos EUA. O país asiático deixou de reservar importações entre setembro e janeiro, aumentando a demanda pela soja brasileira.
Em agosto, a Associação Americana de Soja enviou carta ao então presidente Donald Trump, alertando que o setor estava “à beira de um precipício comercial e financeiro”. “Os produtores de soja dos EUA não podem sobreviver a uma disputa comercial prolongada com nosso maior cliente”, afirmou Caleb Ragland, presidente da entidade.
Na Dakota do Norte, os produtores Josh e Jordan Gackle relataram ao New York Times uma perda de US$ 400 mil neste ano em sua fazenda de 930 hectares, devido à suspensão das compras chinesas. Antes das tarifas, mais de 70% da soja produzida no estado era exportada para a China. “Tudo isso é desnecessário. Os EUA não foram forçados a entrar nessa situação por ninguém”, disse Jordan Gackle ao jornal.
Autoridades comerciais de China e EUA devem se reunir novamente para tentar avançar nas negociações e buscar uma solução para o impasse.