O Ministério do Comércio da China divulgou nesta quarta-feira (20) os primeiros detalhes dos acordos firmados com os Estados Unidos durante a visita do presidente Donald Trump a Pequim, na semana passada.
Pequim confirmou a criação de um conselho comercial bilateral e o compromisso de discutir um acordo-quadro para a redução recíproca de tarifas sobre dezenas de bilhões de dólares em produtos de ambos os lados.
Acordo-quadro e metas tarifárias
O conselho comercial criado prevê que as partes discutam um acordo-quadro para “a redução recíproca de tarifas sobre produtos de valor equivalente”, com cortes que devem atingir mercadorias avaliadas em US$ 30 mil ou mais para cada parte. A meta havia sido delineada semanas antes, quando Bessent e He Lifeng se reuniram em Incheon para preparar o terreno para o encontro Trump-Xi — o comunicado desta quarta formaliza o que então era apenas uma proposta em construção.
Pequim cobrou que “a parte americana cumpra o compromisso” assumido nas negociações recentes e pediu a prorrogação dos acordos de trégua comercial firmados no ano passado. Wang Yi já havia prometido, horas após o encerramento da cúpula de Pequim, que o país implementaria “todos” os acordos com Washington — o comunicado desta quarta é o primeiro detalhamento concreto dessa implementação.
Boeing e carne bovina entre os resultados confirmados
O ministério confirmou que a China comprará 200 aeronaves da Boeing, sem especificar os modelos. A imprensa americana havia noticiado que Pequim poderia encomendar até 500 unidades do 737 MAX, além de cerca de 100 dos modelos 787 Dreamliner e 777.
O país também vai restabelecer os registros de exportadores americanos de carne bovina que haviam expirado no ano passado, no pico das tensões com Washington. O desbloqueio integra um pacote agrícola mais amplo, no qual a China se comprometeu a comprar produtos americanos a uma taxa anualizada de US$ 17 bilhões até 2028, incluindo soja e aves.
Sobre as terras raras — setor estratégico dominado pela China e alvo de restrições às exportações no ano passado —, o comunicado não trouxe detalhes adicionais. O texto se limitou a afirmar que “as partes trabalharão juntas para estudar e resolver preocupações legítimas e legais de ambos os lados”.
O comunicado foi publicado na internet sem assinatura nominal, atribuído a um funcionário não identificado do Ministério do Comércio — prática comum em comunicações sensíveis do governo chinês.
O anúncio ocorre no contexto da intensa guerra comercial de 2025, quando as duas maiores economias do mundo escalaram tarifas mútuas de forma progressiva, até que Trump e Xi Jinping firmaram uma trégua de um ano durante encontro na Coreia do Sul, em outubro. Os acordos desta quarta representam a formalização dos compromissos assumidos na cúpula da semana passada em Pequim.
