Economia

China importa recorde de soja brasileira e reduz compras dos EUA

Alta na demanda chinesa favorece agronegócio, mas especialistas alertam que ganho não chega a outros setores brasileiros
China importa soja brasileira: campo de soja em primeiro plano com bandeira chinesa ao fundo e bandeira dos EUA discreta

A China ampliou em junho a compra de soja brasileira e reduziu as importações do produto vindo dos Estados Unidos, aprofundando uma tendência que ganhou força desde o início da guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo.

Segundo dados divulgados nesta segunda-feira (20) pela Administração Geral das Alfândegas da China, o país comprou 12,08 milhões de toneladas de soja do Brasil no mês — alta de 13,7% frente a junho de 2025 —, enquanto as importações vindas dos EUA caíram 20,6%.

Volume recorde e portos liberados

No total, a China importou 13,55 milhões de toneladas de soja em junho, o maior volume já registrado para o mês. O resultado foi impulsionado pela grande oferta brasileira e pela liberação de cargas que estavam retidas nos portos chineses.

No acumulado do primeiro semestre, a diferença entre os dois fornecedores ficou ainda mais expressiva, consolidando o Brasil como principal origem da soja consumida pela China.

Analistas ouvidos pela Reuters afirmam que a queda nas compras americanas reflete os efeitos prolongados da disputa comercial entre Washington e Pequim: durante boa parte do último ano, compradores chineses adiaram aquisições da safra dos EUA à espera de um acordo entre os dois governos.

Depois de uma cúpula entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, em maio deste ano, a China retomou as compras de soja americana e reafirmou o compromisso de adquirir ao menos 25 milhões de toneladas anuais do produto até 2028. Ainda assim, a soja brasileira segue predominando nas importações chinesas, favorecida pela colheita recorde e pela competitividade do produto nacional.

Ganho não chega a outros setores

O bom desempenho da soja fortalece o agronegócio brasileiro, mas não compensa as perdas de setores atingidos pelo tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Como o Tropiquim já mostrou, o mercado chinês compra sobretudo commodities como a soja, o que ajuda a explicar por que o avanço das exportações agrícolas não é suficiente para equilibrar os prejuízos da indústria de transformação. (leia mais)

Empresas brasileiras que exportam produtos industrializados aos EUA e podem perder mercado com as novas tarifas dificilmente conseguirão compensar essas perdas vendendo à China: o país asiático concentra suas compras em commodities, enquanto produtos manufaturados enfrentam concorrência de fabricantes locais e barreiras comerciais mais altas.

A vantagem brasileira no mercado chinês tende a se manter. Consultorias já projetam uma nova safra recorde de soja para 2026/27, o que deve sustentar a competitividade do produto nacional frente ao americano. (saiba mais)

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