A coordenação da campanha de Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo apostará em três eixos para levar a disputa ao segundo turno: a privatização da Sabesp e dois temas nacionais, o tarifaço imposto por Donald Trump e a defesa da soberania diante das investidas dos Estados Unidos.
Segundo Kiko Celeguim, coordenador da campanha e presidente do PT paulista, o partido deve terminar à frente já no primeiro turno, reforçando os discursos pelas inserções de TV, rádio e pelo horário eleitoral.
Falta d’água como munição contra a privatização da Sabesp
No eixo estadual, a campanha de Haddad deve concentrar ataques na privatização da Sabesp, promovida pela gestão de Tarcísio de Freitas, cobrando a falta de água em municípios do interior e em regiões da Grande São Paulo. A avaliação da coordenação petista é de que o tema tem apelo direto no dia a dia do eleitor, distante das disputas nacionais.
Tarifaço de Trump chega à disputa paulista
Já nos temas nacionais, a campanha vai explorar os efeitos do tarifaço imposto pelo governo Donald Trump sobre setores paulistas, como o sucroalcooleiro, o de papel e o calçadista. A aposta no tarifaço como bandeira já havia ficado evidente semanas antes, quando ex-ministras de Lula usaram convenção do PDT para responsabilizar Tarcísio pelos prejuízos ao etanol, calçados e biocombustíveis paulistas.
O terceiro eixo é a defesa da soberania nacional diante de intervenções dos Estados Unidos, discurso que a campanha trata como estratégico por considerar São Paulo o estado mais afetado pelas medidas americanas.
Convenção do PT oficializa candidatura de Lula à reeleição
A definição da estratégia estadual coincidiu com a convenção que oficializou, neste domingo (2), a candidatura do presidente Lula à reeleição, no Expo Center Norte, em São Paulo. A convenção que oficializou Lula aconteceu no mesmo dia em que a coordenação da campanha de Haddad ao governo paulista detalhou sua estratégia para chegar ao segundo turno.
Por volta das 10h, o presidente do PT, Edinho Silva, confirmou que a chapa formada por Lula e pelo vice Geraldo Alckmin foi oficializada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Aos 80 anos, Lula busca o quarto mandato: foi eleito em 2002, reeleito em 2006 e voltou ao Planalto em 2022, depois de derrotas em 1989, 1994 e 1998, para Fernando Collor e, duas vezes, para Fernando Henrique Cardoso. Uma vitória em outubro o levaria a 16 anos de presidência, atrás apenas de Getúlio Vargas, que governou por pouco mais de 18 anos, mas foi eleito pelo voto direto apenas uma vez.