Os candidatos ao governo de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) participaram neste domingo (9) do primeiro debate do 1º turno, na Band, em confronto marcado por dados e sem ataques pessoais.
Sem a presença de candidatos com força no Congresso, o encontro teve clima de segundo turno, com disputa de narrativas sobre os governos estadual e federal e embates sobre o tarifaço de Trump e o crime organizado.
Haddad tentou nacionalizar a disputa ao vincular Tarcísio a Jair Bolsonaro; o governador rejeitou o tom no início, mas passou a elogiar o padrinho político e criticar o governo Lula no segundo bloco.
Ideb reacende disputa sobre educação
O debate começou com uma pergunta sobre o desempenho educacional de São Paulo após a divulgação do Ideb, que mostrou o estado próximo da média nacional no ensino médio e superado por estados como Piauí e Pará. Tarcísio defendeu a alfabetização na idade certa, a ampliação das escolas de tempo integral e o programa de bolsa-estágio, além do avanço do ensino profissionalizante, que segundo ele elevaria a nota real de São Paulo para 4,5.
Haddad rebateu classificando a situação como grave. Segundo o petista, o estado caiu da terceira posição em qualidade do ensino médio, foi ultrapassado por Piauí, Ceará e Pernambuco e registra 61% de alfabetização na idade certa, abaixo dos 66% da média nacional. Ele criticou a substituição do livro didático e do professor por plataformas digitais sem estrutura de internet adequada.
PCC, feminicídio e Carbono Oculto acirram o tom
O momento de maior tensão veio na discussão sobre domínio territorial do crime organizado. Tarcísio insinuou que Haddad apareceu ao lado de uma mulher apontada por ele como chefe do tráfico na favela do Moinho; o petista reagiu e mandou o governador "baixar a bola", argumentando que a truculência isolada não resolve o problema.
Nos números sobre violência contra a mulher, Tarcísio citou dados do Ministério da Justiça para dizer que São Paulo tem índices de feminicídio abaixo da média nacional, enquanto Haddad, com base no Fórum Brasileiro de Segurança Pública, apontou alta de 10% nos casos no estado no primeiro semestre — ante queda de 2,5% no país. Sobre o crime organizado, Tarcísio atribuiu a São Paulo o início da Operação Carbono Oculto, enquanto Haddad destacou a participação da Receita Federal na ofensiva.
Tarifaço e privatizações também entram em cena
No segundo bloco, os candidatos divergiram sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros. Haddad defendeu o Plano Brasil Soberano, criado pelo governo federal para sustentar empresas exportadoras, enquanto Tarcísio citou medidas estaduais, como a antecipação de créditos de ICMS e novas linhas de crédito, e criticou a falta de adesão do estado à renegociação de dívida oferecida por Brasília.
No terceiro bloco, Haddad cobrou uma avaliação crítica das privatizações feitas por Tarcísio, como a venda da Sabesp, as concessões de transporte e o sistema free flow, e chamou o governador de “decoreba” por citar números e nomes de cidades. Tarcísio respondeu apontando recordes em cirurgias, habitação e investimentos em infraestrutura durante sua gestão. A disputa sobre a venda da Sabesp já vinha de junho, quando Haddad acusou o processo de ter beneficiado um único grupo e Tarcísio rebateu com dados de saneamento.
As propostas de segurança apresentadas no debate — o gabinete integrado defendido por Haddad e a estratégia de asfixia financeira de Tarcísio — já estavam esboçadas semanas antes, quando os dois campos fechavam seus planos para a área. Nas considerações finais, Tarcísio pediu nova chance ao eleitor e elogiou o prefeito Ricardo Nunes, enquanto Haddad acusou o governador de apresentar obras inacabadas como resultados e prometeu detalhar seu plano de governo nas próximas semanas.