Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) gastaram juntos ao menos R$ 2,2 milhões em anúncios no Facebook e no Instagram ao longo de 2026, antes do início oficial da campanha eleitoral, que começou no último domingo (16).
O valor é uma estimativa mínima extraída pelo g1 na Biblioteca de Anúncios da Meta. Tarcísio soma R$ 1,18 milhão em 613 peças voltadas a saúde, infraestrutura e segurança; Haddad, R$ 1,02 milhão em 1.008 anúncios sobre habitação e educação.
Estratégias opostas nas redes
O levantamento do g1 analisou 613 anúncios de Tarcísio e 1.008 vinculados a Haddad — 132 publicados pela própria página do petista e 876 pelo PT municipal, com fotos e vídeos do candidato. Como a Meta divulga os valores por faixas de preço, e não por valor exato, o g1 somou sempre o piso de cada intervalo, o que faz do total um chão mínimo de investimento, não o gasto real.
Tarcísio concentra verba no Instagram
Do gasto mínimo do governador, 95,8% foi para peças exibidas exclusivamente no Instagram, com pico em julho (R$ 267,9 mil). A publicidade priorizou infraestrutura e mobilidade, saúde e segurança pública — tema que já vinha sendo tratado como eixo central da estratégia eleitoral do governador meses antes da campanha oficial. Os anúncios não citam Haddad, mas duas peças pedem que o estado siga “longe do PT”.
Haddad aposta na dobradinha com o PT
Já 99,3% do gasto mínimo de Haddad correspondeu a anúncios veiculados simultaneamente no Facebook e no Instagram, com foco em habitação, educação e saúde. O grosso do investimento — R$ 782,1 mil — saiu de 876 peças publicadas pelo PT sobre entregas do governo federal em municípios paulistas; apenas em agosto a própria página do candidato passou a impulsionar conteúdo, somando R$ 238,3 mil.
Regras da pré-campanha e limites de transparência
O TRE-SP confirma que o impulsionamento pago pode ocorrer antes da campanha oficial, desde que contratado diretamente com a plataforma e sem pedido explícito de voto. Por isso, os valores gastos agora não entram na prestação de contas eleitoral nem são descontados do teto de campanha, fixado em R$ 26,6 milhões no primeiro turno e R$ 13,3 milhões extras em eventual segundo turno — R$ 39,9 milhões ao todo.
Para dimensionar o tamanho dessa engrenagem financeira, basta olhar o histórico: em 2022, o impulsionamento digital somou R$ 67,3 milhões só nas campanhas presidenciais — fração de um ecossistema que em 2026 movimenta R$ 4,9 bilhões do fundo eleitoral distribuídos pelo TSE entre os partidos.
A pesquisadora Débora Salles, do NetLab/UFRJ, avalia que a divulgação por faixas de valor da Meta dificulta a fiscalização detalhada: dá para ver a dimensão geral do investimento, mas não o valor exato de cada peça nem comparar anúncios entre si — uma escolha da empresa, não uma limitação técnica.